domingo, 27 de junho de 2010

Partilha de Vida X Espiritualidade



Na semana passada eu havia postado uma mensagem sobre o diálogo. E como foi propícia para a minha vida e relacionamentos interpessoais! Hoje gostaria de falar um pouco sobre a nossa partilha de vida. Partilhar é demonstrar confiança não só no outro, mas em Deus que nos possibilita o outro para que partilhemos de nós mesmos e nos descobrimos nesta alteridade, pois o outro me diz muito quem sou.

Quando me propus a escrever sobre este tema, a primeira coisa que pensei foi em uma ilha. Uma extensão de terra firme cercada por águas em toda a sua periferia. Muitas pessoas sonham em passar algum tempo numa ilha, acham exuberante sua beleza, mas seu acesso não é fácil. É preciso no mínimo de uma embarcação para chegar lá. Dependendo da distância alguns mais fortes e treinados podem ir a nado. Mas não são todos que conseguirão. Neste caminho existem os perigos do mar, as vicissitudes do trajeto. Mas por que eu falo sobre isto? Por que eu analogicamente comparo nossa partilha de vida a uma ilha? Simplesmente porque algumas pessoas não conseguem partilhar, não têm forças para falar de si mesmas e por seu isolamento ou incomunicabilidade, se assemelham a uma ilha. E assim passam a se esta extensão de terra firme, mas que não dá acesso fácil aos outros. E quando alguém deseja se aproximar precisa de uma embarcação que nem se sabe se esta conseguirá chegar à ilha. Nadando sem se cogita tal façanha, o mar é bravio e toda a beleza que a ilha apresenta se esvai com seu fechamento. Daí que alguns querem entrar a força, desbravar as barreiras e forçar passagem, mas o que estes encontram? Nada. Simplesmente uma ilha vazia. Pessoas vazias que por não se abrirem aos outros se tornam totalmente vazios e caem numa angústia. Sempre acreditei e ainda o faço que todas as pessoas por mais simples que pareçam sempre têm algo a partilhar. E aqui mora um paradoxo, os mais simples e que acham que nada podem é que escondem grandes tesouros, daí o prazer de entrar nesta ilha, na vida do outro não para invadir seu espaço, mas para ajudá-lo a descobrir onde está enterrado este tesouro que precisa deixar seu brilho luzir ao mundo.

Todo este trajeto é um caminho de espiritualidade. Só com a ajuda de Deus é que conseguimos compartilhar nossa vida e da vida do outro sem agressão e logrando uma ajuda mútua. Se o outro se apresentar uma ilha, não tenha pressa de chegar lá. Tudo tem um momento certo, se há alguma embarcação, vá sem a intenção de descobrir o tesouro, isto deve ser um convite do outro que com o tempo sentirá a necessidade de buscá-lo também e sabendo que em nós encontrou um amigo, saberá também quem convidar para este grande dia, o dia de partilhar!

domingo, 20 de junho de 2010

Diálogo X Espiritualidade




Blogagem Coletiva VI - Espiritual-Idade
Vivemos num mundo das conexões. Nunca se viu quantidade de tecnologia e avanços que se espraiam sobre as civilizações. A rapidez com que podemos nos comunicar com o mundo é cada dia mais assustadora, mas por outro lado nos tornamos seres humanos que menos se comunicam conosco mesmo, tampouco com o outro ou com Deus. Deus é desmistificado nesta era, não tem sentido ser um religioso enquanto que o máximo do prazer está em aderir a tudo quanto outrora era proibido, mas que agora muitas pessoas buscam num espírito dionisíaco. Mas até onde vai este homem que se desfragmenta a cada dia? Por que não se diz tanto de interior, mas de subjetividade com conotações de vontades individuais e busca de auto-ajuda? O homem teme conhecer a si próprio, quanto mais o outro que cerca e que tem muito a revelar-lhe sobre sua própria existência. O outro é importante para mim porque me ajuda a compreender aspectos da revelação que eu não percebo. Mas como falar em revelação e transcendência se não há esforços para sequer dialogar com quem está ao nosso lado? Usamos das pessoas para nos satisfazerem, e não para nos auxiliar a compreender a nós mesmos e a Deus. Este liame entre eu o outro e Deus é o tripé para uma vida equilibrada e harmônica. Quando mais nos cedermos às tecnologias em detrimento do outro, o nosso diálogo se esvai e com ele nossa espiritualidade que nos possibilita ver no outro a face de Deus e o reflexo de quem sou. Buscar o outro é buscar conhecer-me a mim mesmo, pois na alteridade o meu rosto se revela e esta relação revela a Deus que se faz presente na humanidade. Ter lógica no diálogo é saber captar no outro os aspectos que me faltam para uma compreensão da dinâmica paradoxal da vida entre eu, o outro e Deus.

domingo, 13 de junho de 2010

Repensar a nossa Fé



Blogagem Coletiva V - Espiritual-idade
Quando falamos sobre fé nos lançamos num campo em que nos exige uma posição diante de escolhas, de verdades e sentido para a nossa vida. Como sabemos, o mundo em que estamos é um mundo de pluri-verdades, onde não encontramos um só fundamento para a nossa vida, mas muitos, que satisfazem as pessoas na era em que vivemos. Falar de experiência de fé neste contexto é muito difícil, cada vez mais as pessoas passam a ter uma fé mais desconstruída, uma fé que está muito flexível, eu não quero condenar estas pessoas porque são frutos da pós-modernidade, de uma época em que tudo se liquefaz e escorre, não há nada de sólido. Muitos aderem a várias crenças de uma só vez, chamamos isto de pertença, estão na Igreja Católica e vão ao Espiritismo e logo buscam uma pentecostal e em seguida outra religião. Não quero desmerecer nenhuma destas religiões, porque acredito que em todas elas está a semente da verdade, todas buscam de alguma forma uma experiência com Deus e expressam a sua fé a partir daí; o problema é que algumas pessoas não conseguem se firmar em uma só fé, qualquer vento que sopre contrário estão deixando o barco ir. O convite muito oportuno de repensar nossa experiência de fé é pensar nossa raiz, pensar em algo sólido que nos levou a buscar a Deus. A acreditar em algo que preenche nosso viver. Não podemos deixar apagar aquele fogo que outrora nos impulsionava a Deus e a seus ensinamentos. Não podemos deixar que esta época que nos impulsiona à secularização faça de nós homens, não seculares, mas secos. E para ilustrar onde podemos encontrar forças eu gostaria de citar a passagem de Jeremias 17, 7-8 que diz o seguinte:
Bendito o homem que confia em mim, o Senhor. Ele é como uma árvore plantada junto da água que lança suas raízes para corrente: ela não teme quando chega o calor, sua folhagem permanece verde; em um ano de seca ela não se preocupa e não para de produzir frutos”.
Busquemos ser como esta árvore à beira das águas, saibamos buscar forças no lugar certo e não ficar vagando por aí como ovelha sem pastor. Temos um Deus que nos ama e cuida de nós. É tempo de repensar a nossa fé e buscar solidificar a nossa crença para que fortes, possamos chegar ao fim tendo combatido um bom combate

domingo, 6 de junho de 2010

Acolhida e Espiritualidade

Blogagem Coletiva IV - Espiritual-idade
Esta semana se faz propício partilhar sobre a acolhida, nossa participação na integração das pessoas que convivem conosco e das que passam pela nossa vida. Acolher é crescer, aprender, saber amar...

Acolhida e Espiritualidade

Se tiveres a coragem de abrir os olhos,
E a força que te permita olhar para o outro,
Tirar de si mesmo o foco e se abrir ao novo,
Encontrarás um caminho...


Se por este caminho andares,
Com atenção a cada detalhe e pessoa,
Buscando o melhor onde não se acreditava,
E creditando a quem já desfalecera,
Encontrarás abertura...



Com a disponibilidade em ver onde não há,
Em ouvir o que ninguém ainda disse,
Escutando o som ainda inaudível,
Encontrarás acolhida...

Encontrarás um caminho,
Que te darás abertura,
Não para ensinar e curar,
Mas para aprender e acolher,
Isto difere em muito do fechamento.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Homenagem à Diair


Patilhar sobre a Diair é algo muito interessante. Ela me leva sempre à alegria, a um sorriso, uma paz que só ela tem. Quantas vezes não ri muito das histórias que me contava, quanta criatividade e ênfase na voz. A vida de cada um tem sua luta, seu passo, compasso, desafios... o que aprendi com esta minha amiga é simplesmente enfrentar, seja o que for, mesmo que muitos se levantem somente para nos fazer temer, nos fazer acreditar que não somos capazes, ou que a nossa fragilidade não suportará as dores da existência, coragem! Diair, a você esta canção com carinho! Já cantamos tantas vezes juntos e muitas oportunidades ainda virão para lembrarmos que uma amizade se dá com passos simples, mas profundos, que marcam nosso coração para toda uma vida.

Diair

Mesmo que os meus medos me assombrem,
Eu sei que sou humano, frágil, mas,
Algo em minha essência não falta,
A coragem para enfrentar o que vier.

Sou Diair, e daí, o que vem por aí,
Não vai me impedir de beijar a dor,
Compartilhá-la em minha vida, mas, não parar nela.
Porque sei que quem me fortalece está vivo e me
conduz.

Minhas mãos cansadas mostram minha história,
Ao labor eu dediquei, mas faria tudo de novo,
Que vida de luta, mas que vida bem vivida!
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