Tg-Doxa - Professor Tiago Lacerda
Filosofia, Sociologia e Direito





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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Questões sobre Filosofia da Ciência - Prova


01) A ciência é um conhecimento racional dedutivo e demonstrativo como a matemática, portanto, capaz de provar a verdade necessária e universal de seus enunciados e resultados, sem deixar nenhuma dúvida. (CHAUI, M. Convite à Filosofia, p. 221). O trecho acima resume qual concepção de ciência? (0,25)

a) Empirista
b) Construtivista
c) Quântica
d) Racionalista
e) Nenhuma das alternativas acima.

02) “Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava.” DESCARTES. R. Discurso do método. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 46. (0,25)

Considerando a citação acima, é correto afirmar que:

a) Na tentativa de pôr tudo em dúvida, Descartes não consegue duvidar da existência do cogito (eu penso).
b) Pautando-se pelo exemplo dos céticos, Descartes não pretende encontrar nenhum conhecimento, pois quer apenas pensar que tudo é falso.
c) O pensamento de Descartes se restringe à constatação de que toda informação sensível e corpórea é falsa.
d) Na busca do primeiro princípio da Filosofia, Descartes põe o próprio cogito (eu penso) em dúvida.
e) Todas as alternativas estão corretas.

03) (IFRN 2009) Uma ideia fundamental do pensamento científico é que existe uma relação necessária entre causa e efeito, de tal forma que, conhecendo as causas, os efeitos podem ser previstos. David Hume, por meio de uma argumentação empírica, deduzida da experiência real observando o choque das bolas de bilhar, demonstra que a relação de causa e efeito se baseia apenas: (0,25)

a) No hábito.
b) Nas ideias.
c) No pensamento.
d) No movimento.
e) Nas ciências

04) Descartes empregou um método universal para o conhecimento. Qual das seguintes alternativas não está de acordo com o método cartesiano? (0,25)

a) Nada pode ser aceito como verdade mesmo quando reconhecido como tal.
b) Deve-se dividir os problemas em tantas partes quanto possível.
c) A reflexão deve seguir uma ordem definida, começando com o que for mais simples.
d) Deve-se ter certeza de que tudo foi examinado, sem omissões.
e) A ordem da reflexão pode ser inteiramente fictícia.

05) Hume pode ser considerado como um dos principais filósofos empiristas modernos. A respeito do pensamento de Hume sobre o conhecimento, é incorreto afirmar: (0,25)

a) Todos os conhecimentos não lógicos baseiam-se nas sensações.
b) Conhecimentos metafísicos podem ser provados como verdadeiros.
c) As percepções da mente humana se dividem em impressões e ideias.
d) Todas as ideias cujas impressões se assemelham são associadas na mente.
e) É possível fundamentar o conhecimento com base na indução.

06) (UFSJ 2010)  “Galileu e seus sucessores, atirando objetos de alturas para o solo, e fazendo rolar esferas sobre planos inclinados, contrastavam nitidamente seus métodos com a anterior e habitual especulação inspirada na Metafísica Aristotélica. Achavam-se, pois, abertamente em jogo os procedimentos adequados para a elaboração do Conhecimento. E era preciso não somente determinar esses procedimentos, mas trazer a sua justificação e reeducar-se na condução dos novos métodos. Tanto mais que tais métodos iam chocar-se em última instância com preconceitos profundamente implantados em concepções tradicionais que traziam o poderoso selo de convicções religiosas. As necessidades do momento levavam assim os homens de pensamento a se deterem atentamente nos problemas do Conhecimento. O que, afora as estéreis manipulações verbais a que se reduzira a Lógica formal clássica, praticamente já não detinha a atenção de ninguém”.

Assinale a alternativa que expressa o problema central desse fragmento de texto. (0,25)

a) A tentativa dos modernos em empreender uma nova metodologia para a Ciência e para a Filosofia.  
b) A iminente necessidade de se praticar uma Filosofia conduzida por novos métodos e técnicas de aprimoramento da metafísica aristotélica.  
c) A grande emergência de se fazer uma total integração da Filosofia com a Ciência através de uma tentativa de equiparação dos seus métodos.  
d) A constatação de que a Filosofia passaria a assumir o comprometimento com as questões relativas ao problema da retórica aristotélica bem como do conhecimento teológico.

07) (ENADE 2005) Uma vez encontrado um primeiro paradigma com o qual conceber a Natureza, já não se pode mais falar em pesquisa sem qualquer paradigma. Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência.
O resultado final de uma sequência de tais seleções revolucionárias, separadas por períodos de pesquisa normal, é o conjunto de instrumentos notavelmente ajustados que chamamos de conhecimento científico.
Estágios sucessivos desse processo de desenvolvimento são marcados por um aumento de articulação e especialização do saber científico. Todo esse processo pode ter ocorrido, como no caso da evolução biológica, sem o benefício de um objetivo preestabelecido, sem uma verdade científica permanentemente fixada, da qual cada estágio do desenvolvimento científico seria um exemplar mais aprimorado. (0,25)

Tendo o texto acima como referência e considerando a filosofia da ciência de Thomas Kuhn, julgue os itens que se seguem.

I Para Kuhn, os paradigmas, em grande medida, governam algum estágio das ciências.
II Em períodos de ciência normal, a ciência pode dispensar os paradigmas.
III Identifica-se, no segundo parágrafo, uma definição kuhniana de conhecimento científico.
IV Kuhn sugere um modelo evolucionista para descrever a dinâmica do saber científico; isso não é incompatível com alguma noção de progresso nas ciências.
V O modelo evolucionista adotado por Kuhn é contraditório, pois, se não há uma verdade fixada, não pode haver ciência.

Estão certos apenas os itens
a) I, II e IV.
b) I, II e V.
c) I, III e IV.
d) II, III e IV.
e) III, IV e V.
08) O esquema analítico kuhniano (desenvolvido fundamentalmente em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas) defende que a evolução da ciência ocorreria através de uma sucessão de períodos de "ciência normal" esporadicamente rompidos por "revoluções científicas". Sobre a noção de "paradigma" e seus problemas, é incorreto afirmar:  (0,25)

a)  No pós-escrito à segunda edição de sua obra, Kuhn reconhece ter formulado o conceito de paradigma de maneira ambígua, o reformula e passa a denominá-lo "matriz disciplinar".
b) É possível entender o conceito de paradigma num sentido global, sociológico, que determina o conjunto de crenças e métodos compartilhados pela comunidade científica.
c) Em um sentido estrito, o paradigma deve ser entendido como a constelação de exemplos clássicos, compartilhados e aceitos sem questionamentos pela comunidade - os "exemplares".
d) Somente a consolidação de um paradigma pode caracterizar o empreendimento de uma comunidade como sendo científico. E é o estudo dentro do paradigma constituído o que capacitará o estudioso de uma ciência a se integrar numa comunidade científica.
e) Segundo Kuhn, a ciência seria o único empreendimento humano que promoveria um acúmulo crescente e linear do conhecimento humano. Acerca desta questão ele não divergia de Popper.

09) Analise o texto abaixo:
"[...] nem a ciência nem o desenvolvimento do conhecimento têm probabilidades de ser compreendidos se a pesquisa [for] vista apenas através das revoluções que produz de vez em quando"(...) "Um olhar cuidadoso dirigido à atividade científica dá a entender que é a ciência normal, onde não ocorrem os tipos de testes de Sir Karl, e não a ciência extraordinária que quase sempre distingue a ciência de outras atividades. A existir um critério de demarcação (entendo que não devemos procurar um critério nítido nem decisivo), só pode estar na parte da ciência que Sir Karl ignora."
Kuhn, "Reflexões sobre meus críticos". In: Lakatos, I.; Musgrave, A. (orgs.), A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Cultrix,1979, p. 11.
Identifique as afirmativas abaixo como verdadeiras ( V ) ou falsas ( F ). (0,25)

A famosa polêmica Popper-Kuhn, brevemente ilustrada no trecho acima, teve como alguns de seus pontos-chave:

(__) Numa situação de crise, a disputa entre o paradigma até então dominante e o candidato a novo não pode ser decidida por critérios unicamente racionais, como queria Popper. Para Kuhn, a substituição da antiga pela nova abordagem assume a natureza de uma conversão quase que religiosa, envolvendo uma mudança-Gestalt.
(__) Em termos kuhnianos, poder-se-ia dizer que Popper entendia e procurava explicar a ciência como um empreendimento em eterna "revolução", o que estaria em total desacordo com o que de fato teria ocorrido nos episódios mais marcantes da história da ciência.
(__) Um dos pontos mais polêmicos da proposta kuhniana foi o fato de ele não ter se preocupado em estabelecer, à risca, uma linha fronteiriça entre ciência e não ciência. Para ele existiriam, no âmago da própria ciência, elementos que são claramente sociológicos, como autoridade, hierarquia e grupos de referência.
(__) A tendência a preservar teorias e torná-las imunes à crítica, que Popper relutantemente aceita como sendo um afastamento da ciência de prática superior, torna-se a norma do comportamento do cientista, na proposta de Kuhn.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
a) V - V - V - V
b) V - V - F - F
c) V - F - V - F
d) F - V - F - V
e) F - F - V – V

10) (Uel 2011)  Leia o texto a seguir. (0,25)

[...] não exigirei que um sistema científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, em sentido positivo; exigirei, porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo através de recurso a provas empíricas em sentido negativo [...]. (POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. Trad. L. Hegenberg e O. S. da Mota. São Paulo: Cultrix, 1972. p. 42.)

Assinale a alternativa que corresponde ao critério de avaliação das teorias científicas empregado por Popper.

a) Falseabilidade  
b) Organicidade  
c) Confiabilidade  
d) Dialeticidade  
e) Diferenciabilidade

11) (UFSJ 2013)  O Círculo de Viena foi um importante marco para a filosofia e, exemplarmente, propôs que: (0,25)

a) antes de ser classificado de percepção extrema ou subjetividade, todo e qualquer dado deve ser sistematicamente analisado.   
b) em qualquer evento, existe algo de subjetivo e isso é disfarçado pelas extraordinárias extensões no mundo metafísico.   
c) para ser aceita como verdadeira, uma teoria científica deveria passar pelo crivo da verificação empírica.   
d) no limite do que o sujeito pode perceber e do que é exatamente o objeto há um abismo de possibilidades e é nisso que consiste a importância da metafísica.

12) (Enem 2012) TEXTO I
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras. BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).
TEXTO II
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha”. GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado). Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que: (0,25)

a) Eram baseadas nas ciências da natureza.
b) Refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) Tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) Postulavam um princípio originário para o mundo.
e) Defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.

13) Existem certas características básicas que diferenciam os argumentos dedutivos dos indutivos.
Analise as características abaixo:

1. A conclusão encerra informação que nem implicitamente estava contida nas premissas.
2. Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será, necessariamente.
3. Toda a informação ou conteúdo factual da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, contido nas premissas. 
4. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente - porém não necessariamente - verdadeira.

Assinale a alternativa que relaciona corretamente as características acima ao respectivo tipo de argumento.
a) 1. dedutivo; 2. dedutivo; 3. indutivo; 4. indutivo.
b) 1. dedutivo; 2. indutivo; 3. indutivo; 4. dedutivo.
c) 1. dedutivo; 2. indutivo; 3. dedutivo; 4. indutivo.
d) 1. indutivo; 2. dedutivo; 3. dedutivo; 4. indutivo.
e) 1. indutivo; 2. indutivo; 3. dedutivo; 4. dedutivo.    

14) Em sua obra Crítica da Razão Pura, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) compara a revolução copernicana com a mudança operada por ele próprio na relação entre sujeito e objeto no processo cognitivo.
Analise as afirmativas abaixo sobre essa "revolução", que Kant teria causado na filosofia.

1. Tanto racionalistas quanto empiristas concentravam-se em questões referentes aos objetos do conhecimento. Kant inverte os termos e coloca a própria razão humana no centro, como ponto de partida do questionamento.
2. Em resposta à controvérsia entre racionalistas e empiristas, que tomavam como centro de suas argumentações a própria razão humana, Kant revoluciona a filosofia tomando como ponto de partida a realidade exterior.
3. O que Kant defendia é que o sujeito possui as condições de possibilidade de conhecer qualquer coisa, ou seja, possui as "regras" através das quais os objetos podem ser reconhecidos.
4. O que o homem pode conhecer é profundamente marcado pela maneira - humana - pela qual conhecemos.
5. As leis do conhecimento, para Kant, estariam nos objetos do mundo, e não no próprio homem.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

a) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2. 
b) São corretas apenas as afirmativas 2 e 5. 
c) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4. 
d) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. 
e) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.? 

GABARITO
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
 D
 A
 A
 A
 B
 A
 C
 E
 A
 C
 
13
14










 D
 C













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