Tg-Doxa - Professor Tiago Lacerda
Filosofia, Sociologia e Direito





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domingo, 1 de julho de 2012

O sofrimento (Parte I)


por Tiago Lacerda

O sofrimento é algo que a maioria das pessoas aprendem a desprezar, pensam sempre de forma negativa a seu respeito e tentam de várias formas se livrar dele. Ninguém quer sofrer, mas também não se pode isentar de senti-lo. Assim, como sofrer e para quê sofrer? Para iniciarmos uma simples reflexão acerca do sofrimento precisamos ter em mente que: o sofrimento é real, às vezes podemos até de forma axagerada multiplicar seu tamanho e ação no nosso corpo, isso porque cada pessoa pode sofrer de forma distinta da outra, pois cada um representa o mundo de uma forma diferente, o que faz meus problemas e sofrimentos não serem relevantes para outras pessoas e vive-versa.
Há um filósofo alemão chamdo Nietzsche (1844-1900) que é muito lembrado pela sua crítica à moral cristã e lido por alguns com muito desprezo e suspeita. Mas este autor, principalmente em sua obra Humano, demasiado humano, pretendia leva o homem ao encontro consigo mesmo, livre de qualquer lei moral que lhe é imposta para tornar-se senhor de si mesmo e artista de si, construindo sua própria história. Nietzsche escreve a partir de sua própria vida, das experiências, vivências, o que torna sua filosofia mais próxima da vida como ela realmente é, sem fantasias idealistas ou crenças advindas de erros da razão por afastar o homem daquilo que lhe é próprio, da sua própria vida.




A essência da Filosofia de Nietzsche é uma coisa simples: dificuldades são normais. Não devemos entrar em pânico ou desistir de tudo. Nosso sofrimento vem da distância entre aquilo que somos e o que idealizamos ser. Por não dominarmos a receita da felicidade, acabamos sofrendo. Mas Nietzsche achava que não bastava sofrer. Se o único requisito para se sentir realizado fossem as dificuldades, todos seriam felizes. O segredo está em saber reagir bem ao sofrimento. Ou quem sabe saber usá-lo para criar coisas belas. Não pretendo levar ninguém a pensar que seja necessário buscar o sofrimento, isso é um absurdo. Ele vem a nós sem que peçamos, se instala em nós de tal forma e quando tentamos resistir ou buscamos subterfúgios para afastá-lo, acabamos por fortalecê-lo e prolongamos este sofrimento em nosso corpo. O que fazer? Não há uma receita, mas é preciso entender o que o sofrimento quer de nós, é preciso encarar de frente a dor causada por ele e vivenciá-lo sem medo. Ele faz parte do processo que se chama vida e não é eterno, ele vai por si mesmo, sem que eu faça algo para retirá-lo de mim. A partir do momento que encaramos e vivemos seja qual for tal sofrimento, aprendemos algo, crescemos e nos fortalecemos.
E quero terminar esta reflexão com uma frase de Nietzsche do seu livro Aurora, parágrafo 443 "Paulatinamente esclareceu-se para mim, a mais comum deficiência de nosso tipo de formação e educação: ninguém aprende, ninguém aspira, ninguém ensina - a suportar a solidão". Terminei dizendo sobre a solidão pois este é o ponto que teremos para iniciar nossa próxima reflexão sobre o sofrimento. Se não sei viver o sofrimento, se não aprendi, como compreender que a solidão é algo que precisa ser também aprendida e valorizada para a vida?
Deixe seu comentário com sugestões ou questões para continuarmos nossa trajetória em busca de uma vida fortalecida pelas experiências e pelas coisas que lhe são mais próximas.

3 comentários:

Claudine disse...

O sofrimento tem o poder de lapidar a alma e cada lágrima, como que um diamante, leva embora em suas faces as tristes memórias de uma dor, para que assim um novo sentimento possa despertar e agora fortalecido, se possa novamente caminhar.

Tiago Lacerda disse...

Olá Claudine! Que bom partilhar contigo o meu blog. É uma alegria receber seu comentário e perceber que a palavra escrita sempre pode ser partilhada, moldada, mudada, trasnformada, assim como nossa vida e experiências. Que fique para nós o sentido da mudança que sempre transforma e nos traz algo novo. O difícil é perceber que esse novo as vezes é precedido pelo sofrimento, que nada tem de negativo, mas simplesmente, um sinal que leva a refletir a vida. Beijo

Orvalho do Céu disse...

Olá, amigo Tiago
Estou tanto tempo fora da net... com post programado e nem vi sua última postagem...
A Missão me prende fora daqui...
O sofrimento é uma escola de vida... por ele temos aceso às portas do Céu... vale a pena acatá-lo e sofrer com paciência a espera da demora de Deus em nós...
Seja abençoado e feliz!!!
Bjs fraternos de paz

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