terça-feira, 19 de abril de 2011

O assento dos acentos


por Tiago Lacerda

Quando vejo uma cadeira, não penso outras coisas,
É obvio que vejo simplesmente uma cadeira.
Vejo todos os seus predicativos, vejo o que todos veem.
Vejo o encosto, quando tem, vejo as pernas, ah se não tem!

Tudo isso me remete a uma classe superior, aos assentos,
Porém na fonética não posso ver, ou melhor, ouvi-los.
Não ouço uma perna, mas sei quando há acento, o tom é outro.
Aqui não só ouço como quero usá-lo, mas não na perna.

E o medo de errar? É preferível não colocar, quem disse?
Procuro saber onde eles estão e aonde vão.
Mas tudo isso me confunde, só me traz escuridão.
Quem disse que são “necessários” para a compreensão?

O humano quis assentar-se sobre esta convenção,
Positivar todo ato, todo sentido e toda fala.
Repousar em assentos para acentos colocar,
Para gerar tons, cores, enfim, a linguagem.
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