segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Variações

Curitiba está hoje a 22º, o que não é um dia muito típico para esta cidade, o bom é que as pessoas porventura nesta temperatura mais alta, se comunicam mais, esta percepção é minha. Mas encontrei-me com pessoas que me cumprimentaram, mas não me comunicaram nada, de nada adiantou o clima aquecido, se o medo do novo ou do se descobrir não acompanhou o calor. E como todo dia bem típico curitibano, hoje já choveu e o calor continua, provavelmente a noite será bem fria, mas não há nada certo, o que me deixa encantado com a diversidade de tempo e clima desta cidade, me apaixonei. E por falar em variações...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Homossexualismo, união ou morte estável?



Em maio de 2011 o Supremo Tribunal Federal reconheceu por unanimidade a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Com certeza muitos já imaginaram esta situação tornando-se vigente, mas não tão mencionada como no presente momento da história. Muitas pessoas falam pelas ruas, blogs, jornais, constitucionalistas discutem e colocam limites nesta união, outros gostariam de estender ao matrimônio, enfim, “modas de viola”.

Enquanto discutimos como numa “conversa de surdos”, o tempo não para e não dá espaço para a vida ser vivida, sentida. Novelas propõe a ideia, mas não podem levar muito adiante por ser contrário aos costumes, até a “poderosa” tem seus limites. Criamos não uma homofobia sexual, mas de valores que não permitem reflexões maduras e paulatinamente responsáveis. Digo isto por muitos temerem a si mesmos, não na força, mas nas fraquezas.

O termo homofobia é um neologismo criado pelo psicólogo George Weinberg, em 1971, onde ele utiliza a palavra grega phobos ("fobia"), com o prefixo homo-, como remissão à palavra "homossexual". Phobos (grego) é medo em geral. Fobia seria assim um medo irracional (instintivo) de algo. Porém, "fobia" neste termo é empregada, não só como medo geral (irracional ou não), mas também como aversão ou repulsa em geral, qualquer que seja o motivo. Etimologicamente, o termo mais aceitável para a ideia expressa seria "Homofilofóbico", que é medo de quem gosta do igual.

O medo enquanto respeito é um caminho, mas o medo violento leva a morte. Não menciono nenhuma morte física, o que seria o descanso para os que sofrem em tal inferno. Mas a morte psiquica e espiritual, que é a pior de todas elas. Uma analogia a Sartre se faz oportuno neste momento: “o outro é o nosso inferno”. Um inferno, bom, que nos coloca diante de nós mesmos com a verdade, ou um inferno que impossibilita as pessoas de serem elas mesmas. Os judeus não podiam dizer-se, pois eram perseguidos e mortos, neste contexto o outro nos aniquila. E nesta onde de levar pelo modismo as repulsas, aniquilamos a quem não gostamos, ou a quem gostamos e não somos, ou simplesmente a nós mesmos. Um exército que se divide, degrigola-se.

Matamos nosso semelhante. Não sentimos sua morte, pois morte é comum desde que não seja em minha casa, família. Preceitos religiosos nada adiantam se ficam no campo das ideias. Leis nada inferem se não prescrevem sanções, por que ser movido na heteronomia enquanto se pode caminhar com as próprias pernas e deixar que cada um caminhe em paz.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O assento dos acentos



Quando vejo uma cadeira, não penso outras coisas,
É obvio que vejo simplesmente uma cadeira.
Vejo todos os seus predicativos, vejo o que todos veem.
Vejo o encosto, quando tem, vejo as pernas, ah se não tem!

Tudo isso me remete a uma classe superior, aos assentos,
Porém na fonética não posso ver, ou melhor, ouvi-los.
Não ouço uma perna, mas sei quando há acento, o tom é outro.
Aqui não só ouço como quero usá-lo, mas não na perna.

E o medo de errar? É preferível não colocar, quem disse?
Procuro saber onde eles estão e aonde vão.
Mas tudo isso me confunde, só me traz escuridão.
Quem disse que são “necessários” para a compreensão?

O humano quis assentar-se sobre esta convenção,
Positivar todo ato, todo sentido e toda fala.
Repousar em assentos para acentos colocar,
Para gerar tons, cores, enfim, a linguagem.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Livre Voo II

Na primeira postagem sobre o livre voo eu disse que o veneno da pequenez já tinha se espraiado nos corações, pode-se ligar este por uma analogia ao mundo. Afirmo a existência deste veneno, percebo, sinto que seus resquícios persistem em querer lançar algumas borrifadas em mim. Tudo isso é o cotidiano de um mundo cheio de pessoas e de pessoas vazias de mundos. Algumas não suportam serem elas mesmas, preferem se espelhar noutras para sentirem alguma segurança. Quando não se espelham para imitar, miram para derrubar: é o cúmulo da pequenez, da falta de identidade, da falta de sentido existencial. Uma pessoa que começa um treinamento para alçar um voo livre é mal compreendida. As palavras também são assim. A liberdade deste voo em nenhum momento me leva a pensá-la como sinônimo de desordem ou libertinagem. Acredito que o problema está nas entrelinhas. Eu deixo mensagens que não estão escritas, mas todos estão tão armados, e isso não é só culpa das pessoas, mas da sociedade, sistema em geral, que sempre interpretam a torto e à direito o que se lê, o que se vê. É o grande mal de alguns professores de português que muitas vezes viajam num texto e fogem à sua essência, levando alguns alunos ao vício literário de lê o que não está escrito e de não saber o que leu na realidade. Ter a astúcia de compreender o texto e poder relacioná-lo com outras interpretações pessoais é uma raridade, mas lê e crê naquilo como toda verdade ou abominar por inteiro tal escrito é fruto de uma ignorância que cria raízes tão profundas em solo seco que não permitirão um voo livre, ou seja, tampouco voar. Neste segundo texto acredito que ainda não consegui atingir meu objetivo, tampouco me esforço, é “cedo”. Deixemos que os raios solares penetrem a penumbra aos poucos, pois se cegarmos, não adiantará voar sem saber aonde ir.
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