segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Livre Voo

por Tiago Lacerda

Acredito que todas as pessoas passam por momentos de tormenta, sejam elas quais forem. Nos deparamos com nossa existência frágil e limitada, isto nos aflige, mas pode ser também o impulso para nos levar além das nuvens que ofuscam o nosso horizonte. Somos perseguidos por tentações que nos mantém muitas vezes presos a sonhos aparentemente grandes, mas com poucas possibilidade de alçar um voo com liberdade. O coração nos engana, os sentimentos confundem nossa razão, vemos limitadamente os obstáculos, os achamos pequenos, não porque eles realmente são assim, mas porque estamos observando-os de frente, e não podemos visualizar muito além disso. Mas se alço um voo e amplio os meus horizontes perceberei que aquele obstáculo já nem existirá. É triste ver grandes águias presas ao chão. O mais triste é vê-las definhar, sem saber quão grande são suas asas e forças. Mas quem pode tentar? Todos? Alguns? Ninguém? Eu diria que a tentativa pode ser para todos, mas a realização concreta é para poucos. Para os Livres interiormente. Mas como diria um autor alemão que aprecio, "talvez eles não apareçam". Eles quem? Esses homens livres que são capazes de voar tão alto e se manter por cima das nuvens, por cima dos problemas pequenos que afeta tanto a muitos humanos. Em outras postagens tentarei citar um pouco mais dessa ideia e prometo ser menos prolixo nas palavras para encurtar a mensagem subliminar. Mesmo assim, muitos resistirão em continuar lendo, o mundo baixo já espraiou o veneno da pequenez sem sentido em muitos corações. Mas poucos poderão compreender o que é ser pequeno e sobre que pequenez me refiro ao dizer sem sentido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Outro

por Tiago Lacerda

Tratamos sobre o problema do outro. Este não é fácil de dizer quando o pensamos fenomenologicamente. Mas para o senso comum o outro é aquilo que se vê e que não sou eu. Nesta perspectiva é fácil dizer o que é algo ou o que não é, mas filosoficamente não podemos trilhar o mesmo caminho, é preciso alguns critérios a mais. Olhar para o que está além de nós, não significa que estamos contemplando o outro simplesmente, mas sim é um outro de mim, e este não sou eu, parece um paradoxo e uma conversa prolixa de jogos de palavras, mas o outro na fenomenologia podemos dizer que é uma objeção do solipsismo que perpassa por uma dicotomia: fazer uma redução do outro para constituir o outro a partir de mim e, por outro lado explicar a originalidade de um outro que não sou eu. Na primeira é preciso fazer uma epochè, e afastar todos os conceitos que já temos e que nos foram dados. Pois muitas vezes julgamos saber o que são as coisas pelo que as pessoas nos dizem que elas são, e não buscamos fazer a partir de nós mesmos, que é o método da fenomenologia, colocar de lado tudo o que sei, ou seja, o que me fizeram saber, e buscar conhecer a parti de mim mesmo.Tudo isso se processa em paradoxos: um que aponta um eu absoluto, mas admite um outro que é sujeito tanto quanto eu; um mundo comum, mas que pode ser visto a partir de cada um tornando-se mundos não-comuns (subjetivos); a experiência de outrem que se liga a constituição de objetos de aspecto novo, que cada um produz para si e que podem ser utilizados por outros, mas cônscio sobre quem o criou. Paul Ricoeur, ao comentar Husserl fala da imaginação, que consiste em um deslocar-se de si mesmo para ver desde outro ponto de vista: “pela imaginação o ‘lá’ é meu ‘aqui’ potencial. Não podemos dizer o que se passa “lá”, não podemos “invadir” o outro, é algo impossível, mas nos deslocando pela imaginação podemos saber em potência o que se passa neste outro, que de várias formas diz muito de quem sou e ao mesmo tempo é um outro eu que não sou.

domingo, 11 de julho de 2010

Sentindo a dor do outro... Sentindo a minha própria dor.


Blogagem Coletiva Espiritual IX - Espiritual-idade - Blog da Rosélia

Para partilhar um pouco sobre como sentir o outro, suas dores, vicissitudes e desafios, não encontrei melhor passagem bíblica do que a do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37). A frase que destaco de toda esta cena é "Vai e faça a mesma coisa!". A nossa dor não pode estar desconectada da dor da humanidade; não é bom que sejamos indiferentes à dor do nosso próximo. Esta deve ser a nossa própria dor, a nossa própria vontade de cuidar do nosso coração. A grande proposta do Evangelho para nos ajudar neste embate se resume em uma palavra, amor. Quem ama consegue enxergar no outro a Deus e a si mesmo. Em Cristo somos um único corpo onde Ele é a cabeça. Pode faltar um braço que o corpo ainda se mantém vivo, pode um perna estar paralisada que a vida se mantém, mas de uma forma enfraquecida. Quanto mais deixamos de cuidar do nosso próximo, que pode ser qualquer pessoa do mundo, deixamos de cuidar de nós mesmos que fazemos parte deste mesmo corpo. Devemos sempre ter esta visão holística da nossa participação de um único corpo, de um cuidado e atenção que quando aplicado ao outro, ao desconhecido, produzimos um crescimento mútuo no amor e na vontade de Deus. O princípio fundamento do Amor Criador é o que nos orienta a perceber que somos cuidados e precisamos legar este cuidado e amor aos mais necessidados que estão em nosso meio.

domingo, 4 de julho de 2010

Escuta X Espiritualidade


Blogagem Coletiva VIII - Espiritual-Idade - Blog da Rosélia

Saber ouvir é saber silenciar-se para ajudar o outro a dizer aquilo que ele precisa colocar para fora. É saber dar atenção ao outro que busca em Deus forças para ser uma pessoa autêntica. Mas saber ouvir é silenciar interior e exteriormente para ouvir a Deus que nos ensina o melhor caminho a trilhar. Esta semana estou em retiro espiritual aqui em Itaicí-SP. É um momento doloroso de calar, silenciar até o último suspiro para ouvir os suspiros de Deus, que para mim vêm por sensações, moções que posso sentir e contemplar junto com a natureza, com as pessoas, com as situações que vivo. O mundo é ruidoso, não nos dá oportunidade de silenciar, tampouco de escutar. No barulho ouvimos sempre alguma coisa distorcida, não compreendemos bem as coisas, por isso, às vezes gritamos com nosso interlocutor porque não compreendemos o que ele disse, por estarmos envoltos nos ruídos que nos cercam. Com Deus não precisamos gritar, mas se não aprendermos a escutá-lo da forma que Ele se manifesta, não vamos adiante, podemos até gritar, Ele nos ouvirá, mas nós não teremos retorno, não porque Ele não o faz, mas porque não sabemos como fazer isso bem. Queremos um Deus útil, que satisfaz nossas necessidades, nosso Deus não é assim. Neste sentido podemos fazer uma teologia apofática, dizer o que Ele não é. Mas podemos por outro lado dar ênfase naquilo que já sabemos que é, e Deus se resume em uma única palavra, AMOR. Na primeira carta de São João 4, 8, encontramos esta verdade. E o amor não nos exclui, não nos abandona e não deixa de ouvir-nos. Somos nós instrumentos que necessitam de uma afinação diária para tocar na nota certa, uma nota que possa ser ouvida universalmente, uma nota LÁ é a mesma em toda parte do mundo, música é matemática. Escutar é a matemática que nos leva a uma vida melhor. Quem sabe escutar, além de errar menos, vive muito melhor. E o que fazer com o que escutamos? Discernir. Santo Inácio de Loyola nos ensina que antes de qualquer decisão ou discernimento é preciso um silêncio absoluto, porque assim podemos certamente saber se o que escutamos vem de Deus ou de algum espírito que nos desorienta e nos leva por outros caminhos que não os de Deus.
A espiritualidade da escuta é simplesmente saber deixar que os nossos sentidos se calem, não para ficarem inertes e inoperantes, mas é um calar para uma afinação teleológica, com uma finalidade de agir melhor de forma mais simples dentro de nós mesmos e no mundo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Homenagem à Nilda


Gostaria de falar um pouco sobre a saudosa Nilda. Quanta garra e vontade de viver! Já com seus 103 anos de idade manifestava um show de força e persistência. Todos os sábados quando eu a via, a encontrava lendo alguma coisa, mantendo a mente sempre ocupada, que exemplo de vida! Nilda, cantamos junto esta canção e hoje a senhora pode escutá-la do céu, onde intercede por nós! Saiba que sua presença, simples, mas marcante me ensinou muitas coisas, mesmo no silêncio e na dor sem reclamar, sua presença testemunhava força em Deus, sua presença imprimia no mundo a fé. Esta nossa canção eternizará esta amizade que com muito carinho de Deus pude receber!

Nilda

A vida é muito mais, eu quero é viver em paz e com muito amor. Histórias eu deixei, cem anos eu passei e vai, outros conquistarei.
Mesmo que o tempo imprima marcas em mim. E que as minhas marcas imprimam no mundo a fé em Deus.
Problemas enfrentei, mas não desanimei e assim continuarei. Um mundo novo vi chegar e eu nem pude acreditar, quanta transformação!

domingo, 27 de junho de 2010

Partilha de Vida X Espiritualidade



Na semana passada eu havia postado uma mensagem sobre o diálogo. E como foi propícia para a minha vida e relacionamentos interpessoais! Hoje gostaria de falar um pouco sobre a nossa partilha de vida. Partilhar é demonstrar confiança não só no outro, mas em Deus que nos possibilita o outro para que partilhemos de nós mesmos e nos descobrimos nesta alteridade, pois o outro me diz muito quem sou.

Quando me propus a escrever sobre este tema, a primeira coisa que pensei foi em uma ilha. Uma extensão de terra firme cercada por águas em toda a sua periferia. Muitas pessoas sonham em passar algum tempo numa ilha, acham exuberante sua beleza, mas seu acesso não é fácil. É preciso no mínimo de uma embarcação para chegar lá. Dependendo da distância alguns mais fortes e treinados podem ir a nado. Mas não são todos que conseguirão. Neste caminho existem os perigos do mar, as vicissitudes do trajeto. Mas por que eu falo sobre isto? Por que eu analogicamente comparo nossa partilha de vida a uma ilha? Simplesmente porque algumas pessoas não conseguem partilhar, não têm forças para falar de si mesmas e por seu isolamento ou incomunicabilidade, se assemelham a uma ilha. E assim passam a se esta extensão de terra firme, mas que não dá acesso fácil aos outros. E quando alguém deseja se aproximar precisa de uma embarcação que nem se sabe se esta conseguirá chegar à ilha. Nadando sem se cogita tal façanha, o mar é bravio e toda a beleza que a ilha apresenta se esvai com seu fechamento. Daí que alguns querem entrar a força, desbravar as barreiras e forçar passagem, mas o que estes encontram? Nada. Simplesmente uma ilha vazia. Pessoas vazias que por não se abrirem aos outros se tornam totalmente vazios e caem numa angústia. Sempre acreditei e ainda o faço que todas as pessoas por mais simples que pareçam sempre têm algo a partilhar. E aqui mora um paradoxo, os mais simples e que acham que nada podem é que escondem grandes tesouros, daí o prazer de entrar nesta ilha, na vida do outro não para invadir seu espaço, mas para ajudá-lo a descobrir onde está enterrado este tesouro que precisa deixar seu brilho luzir ao mundo.

Todo este trajeto é um caminho de espiritualidade. Só com a ajuda de Deus é que conseguimos compartilhar nossa vida e da vida do outro sem agressão e logrando uma ajuda mútua. Se o outro se apresentar uma ilha, não tenha pressa de chegar lá. Tudo tem um momento certo, se há alguma embarcação, vá sem a intenção de descobrir o tesouro, isto deve ser um convite do outro que com o tempo sentirá a necessidade de buscá-lo também e sabendo que em nós encontrou um amigo, saberá também quem convidar para este grande dia, o dia de partilhar!

domingo, 20 de junho de 2010

Diálogo X Espiritualidade




Blogagem Coletiva VI - Espiritual-Idade
Vivemos num mundo das conexões. Nunca se viu quantidade de tecnologia e avanços que se espraiam sobre as civilizações. A rapidez com que podemos nos comunicar com o mundo é cada dia mais assustadora, mas por outro lado nos tornamos seres humanos que menos se comunicam conosco mesmo, tampouco com o outro ou com Deus. Deus é desmistificado nesta era, não tem sentido ser um religioso enquanto que o máximo do prazer está em aderir a tudo quanto outrora era proibido, mas que agora muitas pessoas buscam num espírito dionisíaco. Mas até onde vai este homem que se desfragmenta a cada dia? Por que não se diz tanto de interior, mas de subjetividade com conotações de vontades individuais e busca de auto-ajuda? O homem teme conhecer a si próprio, quanto mais o outro que cerca e que tem muito a revelar-lhe sobre sua própria existência. O outro é importante para mim porque me ajuda a compreender aspectos da revelação que eu não percebo. Mas como falar em revelação e transcendência se não há esforços para sequer dialogar com quem está ao nosso lado? Usamos das pessoas para nos satisfazerem, e não para nos auxiliar a compreender a nós mesmos e a Deus. Este liame entre eu o outro e Deus é o tripé para uma vida equilibrada e harmônica. Quando mais nos cedermos às tecnologias em detrimento do outro, o nosso diálogo se esvai e com ele nossa espiritualidade que nos possibilita ver no outro a face de Deus e o reflexo de quem sou. Buscar o outro é buscar conhecer-me a mim mesmo, pois na alteridade o meu rosto se revela e esta relação revela a Deus que se faz presente na humanidade. Ter lógica no diálogo é saber captar no outro os aspectos que me faltam para uma compreensão da dinâmica paradoxal da vida entre eu, o outro e Deus.

domingo, 13 de junho de 2010

Repensar a nossa Fé



Blogagem Coletiva V - Espiritual-idade
Quando falamos sobre fé nos lançamos num campo em que nos exige uma posição diante de escolhas, de verdades e sentido para a nossa vida. Como sabemos, o mundo em que estamos é um mundo de pluri-verdades, onde não encontramos um só fundamento para a nossa vida, mas muitos, que satisfazem as pessoas na era em que vivemos. Falar de experiência de fé neste contexto é muito difícil, cada vez mais as pessoas passam a ter uma fé mais desconstruída, uma fé que está muito flexível, eu não quero condenar estas pessoas porque são frutos da pós-modernidade, de uma época em que tudo se liquefaz e escorre, não há nada de sólido. Muitos aderem a várias crenças de uma só vez, chamamos isto de pertença, estão na Igreja Católica e vão ao Espiritismo e logo buscam uma pentecostal e em seguida outra religião. Não quero desmerecer nenhuma destas religiões, porque acredito que em todas elas está a semente da verdade, todas buscam de alguma forma uma experiência com Deus e expressam a sua fé a partir daí; o problema é que algumas pessoas não conseguem se firmar em uma só fé, qualquer vento que sopre contrário estão deixando o barco ir. O convite muito oportuno de repensar nossa experiência de fé é pensar nossa raiz, pensar em algo sólido que nos levou a buscar a Deus. A acreditar em algo que preenche nosso viver. Não podemos deixar apagar aquele fogo que outrora nos impulsionava a Deus e a seus ensinamentos. Não podemos deixar que esta época que nos impulsiona à secularização faça de nós homens, não seculares, mas secos. E para ilustrar onde podemos encontrar forças eu gostaria de citar a passagem de Jeremias 17, 7-8 que diz o seguinte:
Bendito o homem que confia em mim, o Senhor. Ele é como uma árvore plantada junto da água que lança suas raízes para corrente: ela não teme quando chega o calor, sua folhagem permanece verde; em um ano de seca ela não se preocupa e não para de produzir frutos”.
Busquemos ser como esta árvore à beira das águas, saibamos buscar forças no lugar certo e não ficar vagando por aí como ovelha sem pastor. Temos um Deus que nos ama e cuida de nós. É tempo de repensar a nossa fé e buscar solidificar a nossa crença para que fortes, possamos chegar ao fim tendo combatido um bom combate

domingo, 6 de junho de 2010

Acolhida e Espiritualidade

Blogagem Coletiva IV - Espiritual-idade
Esta semana se faz propício partilhar sobre a acolhida, nossa participação na integração das pessoas que convivem conosco e das que passam pela nossa vida. Acolher é crescer, aprender, saber amar...

Acolhida e Espiritualidade

Se tiveres a coragem de abrir os olhos,
E a força que te permita olhar para o outro,
Tirar de si mesmo o foco e se abrir ao novo,
Encontrarás um caminho...


Se por este caminho andares,
Com atenção a cada detalhe e pessoa,
Buscando o melhor onde não se acreditava,
E creditando a quem já desfalecera,
Encontrarás abertura...



Com a disponibilidade em ver onde não há,
Em ouvir o que ninguém ainda disse,
Escutando o som ainda inaudível,
Encontrarás acolhida...

Encontrarás um caminho,
Que te darás abertura,
Não para ensinar e curar,
Mas para aprender e acolher,
Isto difere em muito do fechamento.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Homenagem à Diair


Patilhar sobre a Diair é algo muito interessante. Ela me leva sempre à alegria, a um sorriso, uma paz que só ela tem. Quantas vezes não ri muito das histórias que me contava, quanta criatividade e ênfase na voz. A vida de cada um tem sua luta, seu passo, compasso, desafios... o que aprendi com esta minha amiga é simplesmente enfrentar, seja o que for, mesmo que muitos se levantem somente para nos fazer temer, nos fazer acreditar que não somos capazes, ou que a nossa fragilidade não suportará as dores da existência, coragem! Diair, a você esta canção com carinho! Já cantamos tantas vezes juntos e muitas oportunidades ainda virão para lembrarmos que uma amizade se dá com passos simples, mas profundos, que marcam nosso coração para toda uma vida.

Diair

Mesmo que os meus medos me assombrem,
Eu sei que sou humano, frágil, mas,
Algo em minha essência não falta,
A coragem para enfrentar o que vier.

Sou Diair, e daí, o que vem por aí,
Não vai me impedir de beijar a dor,
Compartilhá-la em minha vida, mas, não parar nela.
Porque sei que quem me fortalece está vivo e me
conduz.

Minhas mãos cansadas mostram minha história,
Ao labor eu dediquei, mas faria tudo de novo,
Que vida de luta, mas que vida bem vivida!

domingo, 30 de maio de 2010

Tempo e Espiritualidade


Blogagem Coletiva III - Espiritual-Idade


A experiência de poder perceber que o tempo é para nós um momento de graça é simplesmente um convite a reconhcer a bondade de Deus em nos presentear com tal sabedoria e compreensão. Da mesma forma convido a todos para que acessem os outros blogs e confiram a riqueza da diversidade.
Tempo e Espiritualidade
por Tiago Lacerda

Com o tempo temos a ideia de presente, passado e futuro. Na filosofia existencialista de Heidegger o passado pode ser entendido como ponto de partida ou fundamento das possibilidades porvindouras, e o futuro como possibilidade de conservação ou mudança, do passado, em limites determináveis a cada vez. Temos no futuro apenas possibilidades, estas podem ser direcionadas a alguma mudança, ou não. A sociedade hodierna está repleta de pessoas que não se contentam com sua própria existência, estão em algum tempo, vivendo alguma vida, mas longe do presente. Isto pode causar desespero, angústia nas pessoas, que no lugar de ter o futuro como possibilidade de mudar ou conservar algo, fazem dele um momento atual, o que resulta em frustrações quando não alcançados os objetivos traçados. Da mesma forma pessoas que vivem no passado precisam dar lugar ao presente para que possam respirar com mais liberdade; ficar preso em fatos que se foram e que poderiam ter sido diferentes é sofrer sem possibilidade de mudar. O passado é um ponto de partida, dele visualizamos as possibilidades do futuro e fazemos o melhor para que no presente estas possam ser estruturadas de forma que sejam possíveis suas realizações. No evangelho encontramos algumas pistas, orientações para percebermos a lógica de Deus e podermos viver de acordo com seus ensinamentos, iluminações, buscando não só viver o presente, mas fazer dele oportunidade e possibilidade de mudança para outros que não tem as mesmas oportunidades que gozamos muitas vezes. No início do texto vimos o futuro como possibilidade, porque pelo passado posso vislumbrá-lo; a partir do evangelho vamos compreender o presente como tal, pois este é o momento em que estamos e enquanto muitos querem salvar sua vida alcançando tudo, buscando o máximo que podem e querendo ser tudo, recebemos um chamado para perder a nossa vida, ser o essencial e buscar a um princípio que fundamenta a nossa existência (Cf. Lc 9, 24). É um paradoxo que nos deixa confusos, mas perder a vida é deixar-se ser moldado e ser instrumento de apoio para quem nada possui, os pobres. Os pobres aqui são todos aqueles que sofrem e são excluídos de alguma forma. São aqueles que choram, mas suas lágrimas se transformarão em alegrias, serão consolados (Cf. Mt 5, 4), porque este clamor chega a Deus, e ele envia a cada um de nós para ser estes instrumentos de seu amor. É preciso perder a vida sim na lógica do evangelho, perder tempo com Deus, para ganhar tempo em Deus. Porque quem quiser ser o primeiro, este deve dar o exemplo, sendo o último, o que serve a todos (Cf. Mc 9,35). Não é se rebaixar para seguir uma regra, mas se libertar de tudo o que a sociedade impõe como princípio para uma felicidade que parece não ser possível e que levam muitos a se desgastarem. E finalizo com a citação de Atos dos Apóstolos em que nos ensina que há maior alegria em dar, que receber (Cf. Atos 20, 35). Quando encontramos este caminho norteador no serviço a Deus e ao próximo, encontramos o caminho que nos leva a conhecer o nosso próprio coração. Por isso, gastar tempo com os que precisam é ao mesmo tempo cuidar de nós mesmos.

domingo, 23 de maio de 2010

Corpo x Alma e Espiritualidade



                            Blogagem Coletiva II - Espiritual-Idade - Blog da Rosélia.
Veja que na semana passada eu coloquei a imagem de uma rocha em formação pela natureza. Hoje a imagem é feita de pedras organizadas pelo homem. Convido a todos a perceberem a sutileza desta imagem relacionada com o tema a ser tratado. E depois se possível acessar os textos produzidos a partir do blog acima para valorizar a diversidade de ideias e espiritualidades. Rosélia, obrigado por mais um tema interessante, acredito que teremos ao final desta blogagem coletiva um grande tesouro, um acerto de textos que poderemos partilhar com amigos e leitores. O mais interessante é que cada blog tem um estilo diferente, o que enriquece o evento. Boa leitura a todos!

Corpo x Alma e Espiritualidade

Não é tão simples assim dizer sobre esta dualidade, é desafiante, mas nos leva a associar à nossa fé e nossa capacidade de conciliar duas realidades num só ser. Eu gosto muito da frase que Santo Agostinho escreveu logo no livro Primeiro das Confissões: “[...] o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós”. Esta frase sintetiza todo o livro, a saudade de Deus é inerente ao homem. Agostinho bebe da fonte platônica, dual, mas, ao contrário de Platão, as ideias em Agostinho originam-se de Deus. Este esclarece-nos a inteligência, e é pelos sentidos e pela razão que alma aprende as noções dos objetos, das ideias, mas sempre auxiliados pelo Criador em que se localiza a verdade imutável. No texto Natureza e Espiritualidade eu já havia mencionado sobre a diferença entre os homens e os demais seres vivos que é o pensamento, a razão que nos permite mais que outros animais. Somos animais sim, como dizia Aristóteles, e racionais, estamos nesta categoria, mas neste texto de hoje praticante dando continuidade posso dizer que um outro filósofo também contribuiu muito para esta reflexão. O homem não é para Descartes um puro espírito racional, mas a união muito estreita entre uma alma e um corpo. Assim a natureza pode ser conhecida pelo homem porque ela é apenas um corpo sem nada de misterioso enquanto o homem pode ser um sujeito conhecedor porque ele é só pensamento, que segundo Descartes também não tem nada de misterioso, é uma simples consciência de si e das coisas. Esta razão, pensamento, pode nos levar a uma busca de equilíbrio para o encontro com Deus. Um equilíbrio não só do nosso pensamento e ideias, mas com o corpo. Este não é um cárcere da alma, mas é um só ser e nem um é mais importante que o outro. Se dermos mais valor a alma, desprezamos o corpo e não encontramos equilíbrio. Da mesma forma se o cuidado maior for para com o corpo a nossa alma adoece, o foco fica desnivelado e nos prendemos ao materialismo. A espiritualidade nos ajuda a conciliar estas duas realidades como um só ser que precisa ser cuidado de forma integral para como disse Agostinho repousar em Deus. Este repousar é encontrar abrigo, respostas em meio a dúvidas existenciais e de fé. Caminhamos bem com as duas pernas, e assim podemos nos equilibrar, e mesmo quando isto nos falta encontramos meios para continuar sem desistir. Dentro de nós há todo um movimento, o corpo não consegue perceber por si só, a alma é mais perspicaz para isto, mas não consegue se não estiver no ritmo para tal. Assim em unidade e equilíbrio se constrói um ser capaz de perceber que no mundo como já foi dito não há nada de misterioso, nem no corpo, nem na alma, mas há algo de secreto que pode ser conhecido, sentido e que é capaz de calar toda inquietação do nosso coração. A dança sem ritmo não encanta, e o ritmo sem nada para ser atribuído é em vazio. O interessante é permitir que o ritmo de nossa alma, em equilíbrio, leve o corpo a uma dança que não só encanta, mas descobre, desvela, uma espiritualidade que há muito foi esquecida.

domingo, 16 de maio de 2010

Natureza e Espiritualidade


Esta semana recebi um convite de uma grande amiga, a Rosélia, para escrever sobre determinados temas que serão propostos de antemão para uma Blogagem Coletiva Espiritual. Como funciona? Fácil, a partir do blog Orvalho do Céu saberemos o tema proposto e seus seguidores, leitores e amigos que estarão participando desta blogagem postarão em seus respectivos blogs sobre este tema, como uma corrente de espiritualidade e amor. Achei a proposta interessante, nos estimula a escrever e refletir também um pouco sobre nossa fé. O primeiro tema é NATUREZA E ESPIRITUALIDADE. Convido a todos que acessem o blog Orvalho do Céu e veja referências aos outros textos que foram escritos sobre este mesmo tema. Boa leitura a todos!

NATUREZA E ESPIRITUALIDADE

por Tiago Lacerda

A Natureza sempre me leva a pensar algo que está em movimento, algo que está vivo. É possível não percebermos que diante deste mundo em que estamos as coisas se movem. Não percebemos porque pensamos demasiadamente em muitas outras coisas, assim, não paramos para observar coisas simples como a natureza, a nossa vida interior e a nossa busca de Deus. Quando pensava uma imagem para colocar neste texto, tentava imaginar várias paisagens naturais, com muito verde ou com o mar, mas quando eu percebi o formato destas rochas, me deparei com um questionamento que me levou a pensar nas minúcias do mundo em minha volta que passam despercebidas. Como eu disse, o mundo está vivo, a natureza se move e nesta dinâmica ela constrói cenários que nos deixam estupefatos. Mas o que podemos fazer além de admirar tudo isso? Podemos deixar-nos envolver nesta dinâmica para compreendermos a nossa própria vida. Como?! Nós não somos seres desligado deste grande sistema vivo. Podemos pensar, refletir, saber a nossa função neste mundo e buscar a felicidade, as rochas, não. Mas o que temos em comum? Simplesmente a vida, o movimento. Uma rocha com formatos ígneos ou pela insistência das ondas do mar em tocá-las e moldá-las não pode saber o caminho da felicidade, mas simplesmente é moldada, não escolhe. O criador nos permite escolher caminhos, mas nem sempre percorremos os mais fáceis. Parece uma sina em sofrer ou viver em questionamentos. O que precisamos saber não nos é dado da noite para o dia. É preciso cultivar uma resposta, que é árdua, leva tempo. O problema do mundo hoje é que todos querem respostas imediatas. A natureza leva dezenas, centenas e até milhares de anos para chegar a uma forma que nunca se estagnará na mesma, mas sempre haverá mudanças. Nós insistimos em chegar a um posto, status ou sonho fixo. Isto é muito pouco, se a vida nos permite sempre uma mudança, esta deve ser aproveitada, sempre é possível ser melhor do que somos ou estamos. E se uma doença, ou dificuldade nos aparecer como tropeço, não culpemos a Deus; estamos em movimento, hoje temos saúde, amanhã ela poderá se esvair, mas quando compreendemos que da forma em que estamos poderemos ser sempre um ponto para um passo adiante, a doença e males não serão capazes de nos barrar diante de tantas maravilhas deste mundo. Espiritualidade é saber ver a Deus como um apoio e amor, não como simplesmente alguém que poda, mas que planta e rega com cuidado para que esta planta dê frutos e tenha vida em abundância. Mas não é admitido ter medo de se lançar, o tempo e as ondas sempre existirão, no começo parecerão só nos tirar a jovialidade e força, mas depois poderemos perceber que tudo não passava gotas de força interior, não percebíamos por ser sempre em gotas, mas elas nunca deixam de estilar e acontecem simplesmente porque dizemos um sim, uma escolha à vida. A natureza é moldada sem escolher, o tempo nos faz o mesmo, mas o que fazemos com estas mudanças é que nos lança além daquilo que está escrito na vida natural, nos une ao nosso transcendente e nos mostra caminhos de paz.

domingo, 25 de abril de 2010

Liberdade e Responsabilidade em Sartre

Gosto de conversar com as pessoas. Gosto de ouvir o que elas têm a dizer, de dar atenção e respondê-las, se ao meu alcance. Deixo claro que não tenho as respostas, mas posso ajudá-las a encontrar mais perguntas que de certa forma mostram o caminho não das respostas que querem, mas dos limites que temos em querer saber mais do que está ao nosso alcance, ao menos em alguns instantes, ou nos mais dolorosos e angustiantes. Nossa vida é de escolhas, e estas não são fáceis de manter. Há desafios, renúncias. Temos uma gama de opções no mundo, mas não podemos abraçar a todas, senão cairemos numa anarquia. É preciso um rumo certo, mas qual é o certo? Eu não saberia dizer se um só caminho é certo ou bom, ou melhor, eu não posso dizer isto. Cada um constrói o seu caminho. Sartre em O Existencialismo é um Humanismo descreve que “escolher ser isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, (porque tal “mal” escolhido seria sempre um “bem”, exatamente porque se escolheu) o que escolhemos é sempre um bem. E nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos”. Isto aproxima Sartre da moral kantiana. Kant quer fazer uma filosofia da moralidade e reduzir tudo a isto. Para ser feliz, honesto... é preciso da moral. Essa moral sempre parte do homem livre, autônomo. Ele diz que a razão tem uma autonomia. O sujeito executa a lei que ele mesmo elabora e a pensa. Esta lei tem um caráter universal. Após isto o sujeito deve esforçar-se para cumprir a lei e levá-la até o fim. Assim o que nos propomos ser e fazer deveria ter um caráter universal; outros, ou melhor, a humanidade inteira poderia fazê-lo também. O que nos remete a uma responsabilidade com o que escolhermos fazer e ser. “Há muita gente que não vive em ansiedade, mas é nossa convicção que esses tais disfarçam a sua angústia, que a evitam [...] ora, a verdade é que devemos perguntar-nos sempre: que aconteceria se toda gente fizesse o mesmo?, e não podemos fugir a este pensamento inquietante a não ser por uma espécie de má-fé” (SARTRE). O que eu quero com esta reflexão é propor um pensamento que inclui. Não dar de ombros para o sofrimento alheio, que também é nosso, mas escolher dentre tantas leis morais, aquela que pode nos ajudar a partilhar com a humanidade a responsabilidade recíproca na sociedade em que estamos. O sofrimento de uma só pessoa no mundo, deveria ser capaz de fazer-nos deixar tudo para acolher aquele que precisa no momento de nossa compreensão, amizade e capacidade de amar, porque a nossa vida é um caminhar para o mistério e não adianta pensarmos ser superior a ninguém, mas sim co-responsáveis.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril S. A. Cultural,1973. p.13. (Col. Pensadores)

domingo, 18 de abril de 2010

Homenagem ao Jonas


Aprendendo a aprender


Tem momentos na vida que pensamos saber de tudo e que as outras pessoas não contribuem muito para a nossa história, pior quando achamos que na alteridade não se pode aprender, isto é autosuficiência. Quero homenagear um grande amigo que me ensinou, apesar de sua pouca idade, a perceber que tudo pode ser diferente quando a gente quer. Que o outro por mais simples que seja ou que não tenha os nossos mesmos gostos, pode nos ensinar muito. Sempre é tempo de aprender. E quando o fazemos melhor é quando buscamos aprender na vida concreta. Sentimos alegrias, angústias e saudades; ficamos confusos, nos encontramos e no mesmo instante nos perdemos, porque achávamos que o caminho era aquele e não era, paciência. Nossa vida é uma eterna dialética. E que bom quando encontramos pessoas que nos fazem abrir os olhos para o simples, o belo outrora escondido e o prático. Jonas você é um amigo indizível. Agradeço a Deus pela sua amizade, companheirismo e torço, rezo todos os dias pela sua alegria, sua vitória. Seja sempre você mesmo e em todos os lugares que você estiver, as pessoas encontrarão um ombro amigo na sua pessoa. Felicidades! E na oportunidade, meus parabéns pelo seu aniversário (adiantado)!


quarta-feira, 24 de março de 2010

Pachola


Pachola, pachola por que te entristeceste?
Em ti, nada mais de ti cabia.
Fora de ti, ninguém sabia.
Quiçá por isto morreste, e a ti não te devolveste.

Pachola, pachola, ressuscita-te!
De ti permita sair-te.
fora de ti, aos outros conhecer-te.
Se esvazie para encher-te.

Pachola, pachola acordaste.
Agora em ti há de ti.
Fora de ti ha rumores.
E na alteridade soma amores.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

É difícil te esquecer


Viver o amor é fazer uma viagem sem volta. Por mais que tentamos nos esquivar, quem já experimentou o amor não pode se livrar, pois está envolto. É difícil te esquecer é uma canção que tive a oportunidade de gravar em janeiro de 2010 e que fala dessa experiência do Amor que não se acaba, mas perdura. É uma experiência que traz dor e alegria, que nos faz perceber que diante da bela vida há as vicissitudes que nos levam a pensar que ainda existe uma cruz. Se livrar dela é perder o horizonte de vista, por isso que esta canção é um convite ao reconhecimento de Deus e de seu amor que dá sentido a nossa vida e alivia a nossa cruz.


Como é difícil te esquecer
É difícil deixar para trás
O que aprendi com você
Teu amor transformou meu viver.

Eu não saberia o som das cores
Dos amores não sentiria o cheiro
Nem o sabor de sonhar
Eu não poderia amar.

Sem ti é difícil viver
E quando eu me lembro dói meu coração
E por mais que eu tente me afastar,
Você me atrai não sei o que pensar.

Eu preciso de Jesus, alivia a minha cruz
É difícil te esquecer,
Eu preciso de Jesus, alivia a minha cruz
alivia a minha cruz.

Ouça esta canção:

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Partir




por Tiago Lacerda

Esta noite eu fiz uma viagem e passei por muitas estradas, parti.
Parti para um lugar onde ninguém poderia me encontrar.
Como viajei? Não posso dizer, talvez eu nem saiba.
O que sei é que foi longa, mas em momento algum me cansei.
No meu caminho partido, pois gostaria de ir a outros nortes,
Vi muitos partindo também.
Vi mães, pais, filhos, vi amantes, enfim diamantes,
Cada um com seu destino, uns felizes, outros não, e os misteriosos.
Quando a gente parte, não quer mais voltar,
É como um bolo vistoso que se ganha um pedaço e não se quer rejeitar,
Quer partir outro e partindo quer partir para onde nunca alguém partiu.
Ainda o faço, não com o bolo, mas com meus desejos, sonhos.
Vi amigos, lugares, mas não permaneci, caminhei.
Tudo é passageiro, tudo tem um fim e por isso não me envergonhei.
Sempre é necessário começar, e para isto é preciso partir,
Desejos , sonhos, estradas, bolos, amigos, saudades, enfim.
Cheguei em algum fim, posso sentir,
O que me deu esta consciência é a brisa da manhã, como?
Fui tocado por ela ao descansar em minha poltrona, mas ela me despertou.
Este fim chegou para começar tantos outros caminhos de início e fim.
Mas o fim verdadeiro eu só saberei se de outra forma eu partir.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Seja Humano



por Tiago Lacerda

A dor que perfura nosso peito,
a dor que nos asfixia quando vemos só o mau e o mal no mundo,
esta dor que oprime, nos isola, nos permite lágrimas amargas,
que nos faz orfãos, nos adoece, não nos inclui,
pode ser trasformada!
O coração é uma terra sensível, precisa de alimento certo para a vida.
não o alimentemos com a dor provocada de nosso egoísmo,
ele não merece ser tocado pelo mal estar desse mundo,
demos ao nosso coração possibilidades, não amarguras.
O maior perdão para este ano é o de si próprio,
é reconhecer que nossa humanidade é frágil, erra, chora,
não pensemos que somos um anjo, ou outro ser que alguns tentam nos impor
para que oprimidos não vivamos o nosso ser humano.
Ser humano é ser suscetível a errar,
é perceber que não podemos tudo, mesmo diante de tantas possibilidades.
Quem quer abraçar tudo em sua vida se enche de um vazio,
adoece.
quem quer resolver tudo em sua vida, também se esvazia,
esmorece.
E quem acha que tudo pode, não sabe onde está,
se frustra.
Não vamos olhar para o outro e querer ver a perfeição,
Deixemos cair as máscaras e esteriótipos sobrenaturais,
elas não nos pertecem, são lacunas para a dor,
nos enganam e não têm sabor.
O sabor não se encontra em pessoas, nem em coisas desse mundo,
o sabor está dentro de nós.
É preciso um mergulho profundo dentro de nós mesmos para encontrarmos aquele nosso eu perdido e levá-lo à superfície.
Mas quando o encontrarmos, não nos assustemos,
somos nós mesmos e as vezes podemos não gostar do nosso verdadeiro eu.
Mas quando nos tornamos cônscios e amamos este eu sem máscaras, a dor se vai,
o riso sobresai, e as cores se tornam mais vivas.
Viver como um ser humano é viver em busca desse humano que muitas vezes tentamos esconder. Este, quando encontrado não nos exime de lágrimas, dor, vergonha e frustação,
mas com ele por perto tudo se torna mas claro e menos complicado.
Onde se esconde o meu eu, o nosso eu, o eu do mundo?
Related Posts with Thumbnails

Postagens mais visitadas na última semana!