sábado, 29 de agosto de 2009

A força em mim



Me disseram que em mim há uma força,
que com ela posso lograr o mundo.
Mas se mal aplicada pode ser minha forca,
caminho para um abismo profundo.

Luto contra esse poder que quer me controlar,
quer ser heterônomo, quer me anular.
Mas eu vejo adiante, sei manobrar,
o faço com perspicácia, não a claudicar.

Nesse mundo todos querem ganhar,
se sofro iminente perigo de queda,
logo passarei a atacar.
Se não o faço, jogo armado será.

Para tudo tem um tempo,
não adianta apresar.
Ninguém morre antes da hora,
quando eu estou, ela não está.

O que aprisiona o homem é o medo,
E este mesmo poderá libertá-lo.
Quando os anos passarem mais cedo,
Paulatinamente verás que foi sinal para calá-lo.

Meu silêncio não tem preço, não o ponho a venda,
sou aquilo que muitos morreram anelando.
uma voz no deserto, um senda,
água que rega onde o tempo seguia secando.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sexualidade Parte IV


Mal uso das palavras:
Sexualidade e Impulsos sexuais


Alguns abusos, má conduta e violência sexual por parte de muitos homens são atribuídas impropriamente ao instinto sexual. Justifica-se dizendo que o desejo sexual é algo natural, que é um instinto. Convém distinguir instinto de impulso. Segundo (CASTELLANOS, 2005), baseado no psicanalista Anatrella, afirma que Freud mostra que não existe o instinto sexual, mas o impulso sexual. Ele agrupa os instintos com relação à autoconservação, por exemplo: a fome e o instinto de sobrevivência[1] (Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905).
Isso explica que o instinto deva satisfazer-se com um objeto real, a fome requer comida e não pode contentar com outra coisa que não essa, por exemplo, praticar esporte.
No entanto o impulso não existe no inicio da vida, mas surge e se desenvolve quando a criança começa a ter carências. Noutras palavras o impulso consiste numa força que nos leva a resolver uma carência. Ora o impulso sexual pode satisfazer-se de muitas maneiras, mediante muitas atividades – é a chamada sublimação[2].

Os instintos exigem satisfação imediata, pois não podem transformar-se: a fome continuará a ser fome. No entanto, os impulsos sexuais não exigem realizações imediatas na realidade. Por isso aceitar a sexualidade como algo instintivo gera situações de abuso e de falta de respeito a outras pessoas, sob o pretexto de ser uma necessidade de vida ou morte. E os que a reduzem a um instinto, transformam-se em escravos da sexualidade reduzida ao sexo, como uma força maior do que eles. Isto não ajuda o indivíduo a crescer, tampouco a bem relacionar-se com os demais porque pode pensar que em suas relações o outro é apenas um objeto que se não se necessita mais dele, pode-se com facilidade descartá-lo. Assim, percebe-se que essa reação é impensada e fruto de uma má formação sobre sexualidade e má vivência da mesma, o que pode levar ao abuso e busca desregrada do prazer que não é o objetivo da plenitude sexual vivida em todas as áreas de nossa vida. Com a sexualidade bem norteada podemos viver em harmonia conosco mesmo e com os outros que também fazem parte da integração e completude de nossa sexualidade.
[1] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.23.
[2] Ibidem, p.23.
Referências

CASTELHANOS, Luis Valdez. O Don da sexualidade. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. Dicionário Houaiss da Língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Homenagem à Clara


Clara é uma amiga simples e muito singela. Doce na forma de se expressar. Sempre que eu a encontro ela diz a mesma coisa: - Olá querido, você está muito elegante hoje! Eu retribuo com um sorriso e digo o mesmo, ela fica encantada. Já desbravou os seus oitenta anos... Já venveu muitos obstáculos, mas é forte somente pelo motivo de se deixar ser cuidada por quem nem faz parte de sua família. As vezes, outros nos olham com mais cuidado do que os que estão perto de nós. Sempre pensamos assim, não? Então, porque não pensar o contrário. Será que eu tenho valorizado os que estão perto de mim, os meus familiares e amigos? Querida Clara, Sei que a força faz parte de seu viver, obrigado ppor partilhar comigo desta energia! A você esta canção!


É CLARA A VITÓRIA

Tentei lutar, tentei dizer, Mas não quiseram me compreender;
Que meu coração batia forte, Queria voar, voar.
Mas nem tudo na vida é assim, Há correntes que nos prendem às pessoas,
E há pessoas que nos prendem à correntes.
Mas eu venci, eu venci, Tudo suportei por amor.
Me resta a saudade dos amigos que deixei,
Dos afagos que perdi,
mas eu sei que muito mais Deus tem pra mim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cotidiano


uma só dose é o bastante,
numa só taça há graça,
um só contato é fraco.
Se não há abertura, governante,
se se quer outros ares, praça,
se a dor é constante, chore.
Mas nunca deixe que seu palco desarme.
Se a madeira cair, outras virão.
Vinho bom, odre velho.
Vinho bom, odre novo.
Eu aqui e tudo de novo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sexualidade - Parte III


Afetividade e Sexualidade


Dentro da sexualidade veremos a afetividade, que é seguida de sentimentos, sensações de todo tipo e que tem forte incidência na pessoa. A afetividade segundo o dicionário Houaiss é um conjunto de fenômenos psíquicos que são experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos[1]. É como nos apresentamos e como reagimos diante de diversas situações, o que sentimos e como procedemos com tais sentimentos.
Por isso a sexualidade pode ser entendida segundo (CASTELLANOS, 2005) como o conjunto dos elementos que constituem a pessoa: a identidade, a procriação, a afetividade, a sociabilidade, o amor, a espiritualidade e os órgãos que tema a ver com ela[2]. É o ser humano em sua totalidade, sua forma de se apresentar, se definir, é a sua percepção de mundo e pessoas, como se relaciona e sua capacidade de amar, de se comunicar com os outros e fazer dessa relação, momento de crescimento e maturidade, respeitando as diferenças e a identidade do outro.

Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais estão orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar[3].

Vimos que a partir de uma aceitação da peculiaridade da sexualidade é possível também compreender e aceitar o diferente. O homem vive com suas características fundamentais e da mesma forma a mulher e, mutuamente se complementam, se unem para viver a integralidade de sua sexualidade através da partilha e convivência, do deixar-se ser complementado na alteridade, porque sozinho é muito difícil viver a sexualidade, precisamos do outro, somos seres gregários e vivemos numa sociedade que a cada dia nos afasta de uma vida comunitária, em comunhão com os demais, devido à individualidade e narcisismo implantado pela era que vivemos, onde tudo é descartável e da mesma forma as nossas relações recíprocas sociais. Tratamos o outro com utilitarismo, enquanto me serve eu o mantenho por perto, mas nos enfadamos com as relações, queremos sentir sempre algo novo, sempre algo que ninguém ainda já experimentou, somos levados a assim nos conduzir no embalo da pós-modernidade onde reina uma crise do niilismo, de um vazio que nos leva a ter uma constante busca de prazer, ainda que desordenado e que vá de encontro com os valores sociais vigentes, ou morais que guardamos dentro de nós.
[1] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. Dicionário Houaiss da Língua portuguesa, p.102.
[2] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.13.
[3] Catecismo da Igreja Católica, 2333, p.605.
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