Tg-Doxa - Professor Tiago Lacerda
Filosofia, Sociologia e Direito





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sábado, 19 de dezembro de 2009

O pecado é uma ausência de amor

A filosofia deve ser para nós um instrumento que nos leve a viver a nossa vida de uma forma mais compreensível e pragmática. Ela deve ser algo concreto em nossa vida, não apenas reflexões e debates sobre filósofos que por muitos caminhos não nos leva a lugar algum senão a um turbilhão de pensamentos e ideias. Estas devem nos levar a passos concretos, à vivência autêntica de nossa vida. Assim podemos ler muitos autores e filósofos retirando deles aquilo que pode nos fazer crescer sem detrimento doutras partes de suas doutrinas, mas atentos para aquilo que é essencial a nós cristãos.
MALEBRANCHE O pecado é uma ausência de amor
Gostaria de iniciar este texto sobre filosofia já trazendo uma reflexão de um filósofo francês, nascido em Paris, em 1638, Malebranche. Uma ideia precípua de sua filosofia é que todo objeto de meditação nos conduz a Deus e ao seu poder. Enquanto que para Descartes Deus é a ponte que nos assegura a verdade, para Malebranche, Deus é a própria verdade. Ele vai além dizendo que o mundo só pode ser Deus, uma espécie de panteísmo. Em sua filosofia encontramos o ocasionalismo que é uma doutrina que aponta Deus como causa de todas as coisas e que tudo o que acontece é uma ocasião para que Deus se manifeste. Assim, tudo que eu faço é uma ocasião para manifestação de Deus, quando penso em levantar o braço e o faço, não foi a minha vontade, pensamento humano que o fez agir, mas a vontade de Deus. Diante disto é claro que os que se opunham a ele investiam contra suas ideia dizendo que: — Suponhamos que eu sinta uma viva atração pela mulher de meu melhor amigo, será Deus que por ocasião de meu desejo, realiza o adultério? Se Ele faz tudo, por conseguinte é autor do pecado! Como resposta Malebranche argumenta que é certo que Deus colocou em mim o impulso que conduz para a felicidade perfeita, para o sumo Bem. Mas essa felicidade eu só a encontro no próprio Deus que me leva a um amor, não desinteressado, mas um amor que inclui também o amor de si. E para ele os dois se confundem porque na verdade é necessário encontrar Deus para que eu seja verdadeiramente feliz. E Deus não exige que eu me odeie e se me amo e o faço bem, só tenderei para Ele. Eu sou livre para superar as tentações mais desprezíveis e buscar uma felicidade mais substancial, eis a fonte não só da liberdade, mas da possibilidade de pecar. Porque posso fixar num objeto finito esse desejo de felicidade que Deus colocou em mim e que só Ele pode satisfazer. Assim, o pecado sacrifica bens maiores a bens medíocres. O pecado é um nada, uma ausência de amor. Concluímos que onde está este vazio, este nada, que é a ausência de felicidade é porque deixamos bens maiores em detrimento de outras coisas que desviam nosso alvo à felicidade plena.

3 comentários:

orvalho do ceu disse...

Oi,amigo Tiago
Aproveito teu blog para te desejar muita alegria neste Natal que está por chegar em nossos corações...
Acertarmos o alvo será nosso maior presente rumo ao MAGIS!!!
Abraços fraternos
Roselia

Anônimo disse...

Gostei muito do seu texto, pois me fez refletir sobre o que seria pecado na minha visão, ao despertar lembranças de experiências vividas.
Creio ser o pecado inerente à evolução humana. Passei minha infância e adolescência ouvindo que o pecado era algo ruim, que nos impede de chegar até o céu (e confesso que isso me deixava apavorada). Mas com as experiências que a vida me trouxe, descobri que é justamente ele que nos faz chegar até o mesmo. Pois através do pecado é que podemos experimentar o que é o correto, que por sua vez, nos permite reconstruir uma nova direção.
Quando experimentos o pecado, também experimentamos a dor. E a dor é o que nos impulsiona a mudar. Mudar nossa consciência e atitudes, nós levando a fazer o que é certo, o que traz alegria, a plenitude do ser.
O pecado é como se fosse uma espécie de Pedagogia do erro: "Todos erramos, em qualquer momento, em muitas circunstâncias. Errar faz parte do crescimento, faz parte da construção do nosso conhecimento. Ninguém consegue abarcar a totalidade da realidade que o cerca, com um só relance do olhar. Até chegar à essência das coisas, dos fatos, dos conceitos, é necessário debruçarmo-nos várias vezes sobre cada uma delas. O conhecimento constrói-se errando várias vezes. As competências adquirem-se errando várias vezes. Hoje erra-se aqui nesta fase do conhecimento, amanhã erra-se um pouco mais além e é assim, passo a passo, que vamos construindo a pirâmide do nosso conhecimento”.
Muitas vezes pecamos por não saber nos portar diante das situações, por não ter aprendido a ter equilíbrio espiritual e habilidade para domar certos extintos que em desalinho podem nos levar a se entregar a tentações desprezíveis. E a ai nos deparamos com as consequências, que nos impulsiona a uma depuração, a fim de que possamos experimentar sentimentos mais salutares.
Hoje já não me martirizo tanto pelos pecados cometidos, tento através deles melhorar a mim. Apenas me questiono: puxa se tivesse o conhecimento de certas coisas, se soubesse dominar melhor minhas emoções, não teria errado em muitas circunstâncias. Mas como já dizia o poeta: "A experiência é um pente que a vida nos concede quando já não temos mais cabelos" rs...
Para mim o pecado seria ausência de conhecimento que pode nos levar ao abismo antes de chegar à superfície.

Anônimo disse...

Gostei muito do seu texto, pois me fez refletir sobre o que seria pecado na minha visão, ao despertar lembranças de experiências vividas.
Creio ser o pecado inerente à evolução humana. Passei minha infância e adolescência ouvindo que o pecado era algo ruim, que nos impede de chegar até o céu (e confesso que isso me deixava apavorada). Mas com as experiências que a vida me trouxe, descobri que é justamente ele que nos faz chegar até o mesmo. Pois através do pecado é que podemos experimentar o que é o correto, que por sua vez, nos permite reconstruir uma nova direção.
Quando experimentos o pecado, também experimentamos a dor. E a dor é o que nos impulsiona a mudar. Mudar nossa consciência e atitudes, nós levando a fazer o que é certo, o que traz alegria, a plenitude do ser.
O pecado é como se fosse uma espécie de Pedagogia do erro: "Todos erramos, em qualquer momento, em muitas circunstâncias. Errar faz parte do crescimento, faz parte da construção do nosso conhecimento. Ninguém consegue abarcar a totalidade da realidade que o cerca, com um só relance do olhar. Até chegar à essência das coisas, dos fatos, dos conceitos, é necessário debruçarmo-nos várias vezes sobre cada uma delas. O conhecimento constrói-se errando várias vezes. As competências adquirem-se errando várias vezes. Hoje erra-se aqui nesta fase do conhecimento, amanhã erra-se um pouco mais além e é assim, passo a passo, que vamos construindo a pirâmide do nosso conhecimento”.
Muitas vezes pecamos por não saber nos portar diante das situações, por não ter aprendido a ter equilíbrio espiritual e habilidade para domar certos extintos que em desalinho podem nos levar a se entregar a tentações desprezíveis. E a ai nos deparamos com as consequências, que nos impulsiona a uma depuração, a fim de que possamos experimentar sentimentos mais salutares.
Hoje já não me martirizo tanto pelos pecados cometidos, tento através deles melhorar a mim. Apenas me questiono: puxa se tivesse o conhecimento de certas coisas, se soubesse dominar melhor minhas emoções, não teria errado em muitas circunstâncias. Mas como já dizia o poeta: "A experiência é um pente que a vida nos concede quando já não temos mais cabelos" rs...
Para mim o pecado seria ausência de conhecimento que pode nos levar ao abismo antes de chegar à superfície.

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