sábado, 19 de dezembro de 2009

O pecado é uma ausência de amor

A filosofia deve ser para nós um instrumento que nos leve a viver a nossa vida de uma forma mais compreensível e pragmática. Ela deve ser algo concreto em nossa vida, não apenas reflexões e debates sobre filósofos que por muitos caminhos não nos leva a lugar algum senão a um turbilhão de pensamentos e ideias. Estas devem nos levar a passos concretos, à vivência autêntica de nossa vida. Assim podemos ler muitos autores e filósofos retirando deles aquilo que pode nos fazer crescer sem detrimento doutras partes de suas doutrinas, mas atentos para aquilo que é essencial a nós cristãos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vocação e Profissão

Numa missão no sul do Brasil tive a oportunidade de partilhar um pouco sobre este tema com alguns jovens e quando eu lhes perguntei o que era mais importante, a vocação ou a profissão, alguns ficaram divididos. E assim a partilha aconteceu.
Sempre gostei de ajudar aos outros, pensei em ser muitas coisas que não levei a cabo. Mas em tudo que fazia eu percebia que faltava alguma coisa para completar minha vida. Minha profissão caminhava bem, mas me fadigava e por mais que eu tentasse não me saciava com o que fazia. Parei para escutar o meu interior, o que realmente pulsava dentro de mim. Com este gesto recebi um chamado, algo que não se explica de forma inteligível; nenhuma voz se manifestou a mim para dizer-me algo, não recebi nenhuma notícia sobrenatural, tampouco uma carta dizendo qual era a minha vocação. Mas foi um apelo interior e, quando descobri, minha vida mudou. É como descobrir um grande tesouro, sabemos que estamos no caminho certo, a monotonia deixa lugar à dinamicidade, encontramos forças, mas não sabemos como, isto é vocação. Os problemas se tornam mais fáceis de se enfrentar, ficamos surdos às vozes que tentam nos impedir de seguir nosso caminho. A profissão é algo que realizamos e que não precisa de ter uma vocação. A desempenhamos numa rotina, cobramos, nos irritamos muitas vezes se passamos da hora no cumprimento da mesma. Podemos ter várias profissões e nos esgotarmos nelas, mas sem vocação logos sucumbiremos. A vocação deve estar entrelaçada com a profissão buscando a justa medida, a forma mais simples de unir o dom ao serviço que precisa ser prestado. Quando encontramos o verdadeiro caminho, somos capazes de deixar muitos objetivos pessoais para abraçar o objetivo que nos leva a uma realização completa. Somos capazes de nos desprender de coisas que nos prendem, de renunciá-las para alcançar maiores. Como podemos saber qual o caminho? Como ter certeza que o que sentimos não é fruto de devaneios nossos? É preciso arriscar e não temer errar o caminho. É preciso ouvir os apelos que brotam dentro de nós. É mergulhando em nosso interior que encontraremos respostas concretas para o nosso exterior.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Homenagem à Maria Eduarda

Maria Eduarda é uma amiga que tive a oportunidade de conhecê-la neste ano. Ela me contou a sua história e o carinho que tem pela Rainha Elizabeth. Disse que a idade é a mesma e que um dia decidou escrever-lhe e por incrível que pareça recebeu uma resposta da majestade inglesa, assim eu pude escrever uma canção con sua história e homenageá-la. O nome da canção é Marydu. A você minha querida muita paz.
MARYDU

Um dia eu parei para escrever uma egrégia missiva, Caneta e papel nas mãos ao som de um piano. Tocava uma valsa para me lembrar, De palavras tão doces e assaz harmônicas, Ela ainda não é minha amiga. Da Inglaterra é Rainha.
Minha carta partiu e eu fiquei a esperar, A resposta da Majestade Inglesa. Mais do que ousadia, para mim era um sonho, Que se realizou.
Maria Eduarda I want to thank you, for your affection to me, In Buckingham I read what you wrote about me. May God bless you and guide you forever.
Os sonhos com fé nos projeta além, De tudo que há em nossa volta, e mesmo que o mundo diz não, Ninguém será capaz de ouvir os ruídos de um coração.
Maria Eduarda eu quero te agradecer, por toda estima que tens por mim, em Buckingham eu li o que me dedicaste, Deus te abençoe e ilumine.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O CAMINHO EM PARTES


A pedido de um amigo escrevi este poema que é divido em três partes para um congresso de saude mental. creio que todos nós podemos usufruir de alguma parte e perceber com estamos diante da nossa vida e como cuidamos de nossa saude mental.
Nossa vida é sempre um caminho, às vezes sofremos demais porque buscamos em lugares distantes a paz que está perto de nós, ou melhor, dentro de nós. No começo deste caminho desanimamos, ignoramos a graça de Deus e a ajuda dos outros, tudo é trevas, mas com a persistência passamos por momentos de reconhecimento de que tudo isso é uma ilusão, de que eu não vejo com os olhos interiores, mas reafirmo só os problemas, assim é preciso vencê-los e chegar a aceitar as vicissitudes em nossa vida com tranquilidade, só assim poderemos trilhar um caminho de cura e com passos seguros.
Em qual caminho estamos? Por que permitir que um caminho errado destrua nossas forças internas enquanto podemos mudar de direção? Convido a seguir adiante e perceber que a dor e o sofrimento não são as últimas respostas, em nosso caminho deve haver cura e paz.


PARTE I – O DESABAFO, AS TREVAS

Eu olho para o céu e contemplo as estrelas, é noite!
É noite não porque o dia se foi, mas porque a escuridão me é palpável.
Eu tento com minhas forças lutar para ser visto, reconhecido,
Mas não, os outros não me darão crédito, sou limitado, algo em mim falta.
Me dizem que não posso, isso chega a doer em meu peito,
Alguns pela minha relativa incapacidade nem me vêem.
São indiferentes, a dor não lhes tocam, não querem saber.

Em meio a escuridão caminho e tropeço em minhas próprias forças,
Quando penso que vão me ajudar, algumas portas começam a se fechar.
O que posso fazer? Com quem posso contar? Minha família?
Ah, se minha família soubesse o que se passa dentro deste meu coração!
Me abraçariam, chorariam comigo e me amariam muito mais.
E se esta porta que está mais perto de mim não se abre totalmente,
Como posso contar com aqueles que nem meus parentes são?

Bem dizia Shakespeare que o tempo é algo que não volta atrás.
Mas para quê eu voltaria, para sofrer outra vez, prolongar o frio.
Não, não pode ser verdade que tudo aconteceria da mesma forma,
Eu teria abraçado mais e buscado dar mais atenção a todos,
E se alguém fosse me procurar necessitado? Claro que ajudaria!
Não sou uma pobre pessoa que mendiga amor, mas tento compartilhá-lo
Tento estendê-lo e desejo que ele seja mútuo.

PARTE II – RECONHECER, CONFIAR

Eu reconheço que o pessimismo não é a chave central,
Que reclamar e lamuriar não me fará ver a luz,
Basta saber que ela existe e que seus raios podem chegar a mim.
As vezes eu realmente exagero nas minhas exigências,
O amor como eu pensava realmente deve ser mútuo, deve ajudar,
Não adianta eu dizer que o farei e só esperar o outro.
O meu não reconhecimento pode atrapalhar tudo.

É fácil sempre colocar a culpa nos outros, e dizer que eu não.
É fácil me esquivar das responsabilidades que também são confiadas a mim.
Eu devo abraçar, mas este abraço deve ser mais do que o externo,
Deve mostrar que sou alguém que tem sentimentos, que vive.
Eu já abracei muito, mas tudo por uma convenção, onde eu estava?
Os meus limites me tornam especial eu sei, mas não estou morto.
Posso trabalhar, posso sorrir e passear, louvar e me divertir.

É verdade que se eu voltasse no tempo, mudaria muito.
Mas eu não teria aprendido, não teria passado por...
Por tantas coisas que meu peito não pode falar, enfim vivi.
Essa é uma oportunidade da qual devo agradecer, devo valorizar.
Reconheço que a sociedade exclui, mas onde está o meu coração?
Se humilde nada pode abalá-lo, quanta força escondida.
Eu sou amado e posso amar, que conclusão sem igual.


PARTE III – A SABEDORIA, PARTILHAR

Quero a luz e não as trevas, já posso senti algo novo.
Que minha boca proclame sempre as graças e a saúde.
Ah sim, esta eu quero em abundância, já sou melhor.
Minhas limitações são degraus, que ajudam não só a mim,
Mas a todos que comigo caminham de mãos dadas.
É verdade. De mãos dadas somos mais fortes, quanto calor!
Um calor que afugenta o frio e traz a paz, um calor que inclui.

Se pensavam que por minha frágil saúde eu não podia nada,
Agora é que vou mostrar que eu é que vou ajudar a incluir.
Como a minha família deve lidar com isso? Dando-me as mãos.
Sozinho eu não tenho forças nem sequer para caminhar,
Mas com suas mãos, posso trabalhar e com mais alguns corações, amar.
Não só a nós mesmos, mas a todos que precisam de apoio
Eu posso e já supero os meus desafios, não foi fácil os primeiros passos.

Para quê voltar no tempo se eu posso fazer hoje um mundo melhor.
O ontem e o amanha não nos pertencem, deixá-los-ei em paz.
É no agora que devo me conscientizar, que devo partilhar o que tenho,
Que preciso também ser luz, outrora tudo era trevas, agora vejo as portas,
Não se abrindo, já estão abertas. Tanto tempo recusei aceitar tudo isso,
Lutei contra doenças e preconceitos, meu Deus tudo isso fazia parte!
E agora o tratamento é doce, as pessoas são como sempre sonhei.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Homenagem à Aládia



Deixo aqui mais uma homenagem a uma senhora muito querida, Aládia. Mulher firme e que viveu uma vida cheia de amor por tudo o que fazia. Uma verdadeira Amélia. Esta canção que a ela dedico é uma declaração de um homem que ama, por sua história, eu escrevi pensando em sua dedicação à família, o quanto amava seu marido e o quanto foi correspondida. Hoje ela nos conta com alegria esses momentos que o passado possibilitou e que ficaram registrados em seu coração.

Desperto cedo e já sinto o cheiro do café sobre a mesa,
desço as escadas e a percebo, a vejo organizando tudo.
E com um sorriso em seus lábios,
me diz bom dia e eu já vou trabalhar.
A casa limpa, tudo em ordem.
Uns dizem Aládia, mas eu sempre Amélia.

Te amo, te quero sempre mais e mais,
teu nome é lindo e eu jamais esquecerei,
Mas, mais lindo que o Teu nome é o amor que sinto por você

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Onde o Supremo bem se esconde?



Quem somos nós? O que sabemos?
Quando sabemos, já não o mais.
Quando pensamos que é, nos deparamos com o nada!
Se ele não é, como podemos nos deparar com ele?

Para existir não é necessário ser?
Mas o que é ser num mundo onde tudo é o ter?
Onde as riquezas, a honra e o poder, ficam esperando por mim e você.
Estes são caminhos que nos levam somente a esmorecer.

Busquemos aquilo que nos satisfaça!
Mas como posso intitular tal façanha?
O bem, a quem, a cem... a suprema felicidade?
Podemos encontrá-la, acredite!

Ela é um bem certo, e sua forma de percebê-la, incerta.
Há bens que são incertos e sabemos muito bem como lográ-los.
Se não sabemos o caminho, o quê nos impede buscá-lo?
O ser, o ter, o querer... qual infinitivo?

Não deixe que a angústia de estar diante do nada,
A angústia de estar diante, estonteante,
Seja a última palavra, o ponto final.
Lance mão de reticências.

Não se detenha em vírgulas e pontos finais,
O papel aceita o que nele se coloca,
Nossa existência aceita o que planejamos.
Planeje!


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Homenagem à Dirceia

Dircéia é uma grande amiga, uma senhora que adora uma boa conversa. Dentre suas histórias, as que mais nos emocionam são as do seu pai, que foi das forças armadas da Marinha, quantas histórias bonitas e quantas partilhas. Dircéia, a você esta canção e muita paz.


DIRCÉIA

Expedição de guerra e muita gente pelo chão,
Eu passo em meio a tanta confusão,
Mas não sei o que fazer, fico a pensar, pensar, pensar.

Olho para um lado e outro, espiões,
São forças armadas querendo informações,
Prefiro esconder-me à entregar o meu tesouro.

Beligerantemente o tédio toma a todos nós,
Num ato de coragem tento uma solução,
Levantar bandeira branca nas trincheiras do meu coração.

Ao longe eu vi o menear duma bandeira,
Ratificava a paz, a guerra terminou,
Reconheci, era o meu pai sorrindo para mim.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Poço esquecido




O poço esquecido

Encontrei um lugar muito bom para pensar.
Aqui há um açude de cimento sem água, um tanque antigo.
Nele só há folhas secas das árvores que o ladeia.
E é em sua sombra que me refugio do sol.

Olho para um lado, campo.
Olho para o outro, serras.
Bem longe avisto os prédios do centro da cidade.
Aqui o vento traz paz, faz música
Tocando os galhos e suas folhas secas no fundo do tanque.

Enfim me encontro só, ou melhor, eu e o poço,
Mas sei que nós dois não estamos abandonados.
Ele me faz lembrar, pensar, rezar.
E eu quase me esqueço, era eu o poço e o vento.

O opaco pode brilhar,
E o que hoje brilha, amanhã já não será.
Neste tanque profundo e largo já houve esperança,
Que com suas águas se esgotou,
E por seu estado, nada e ninguém o ajudou.

Hoje é um tanque qualquer,
Em lugar nenhum e sem provisão.
No passado foi a fonte da abundância,
Do doar-se, do servir.

Ele fez sua história, escreveu suas páginas,
Arrancou muitas lágrimas.
Ele passou pelo percurso natural da vida, ele veio e se foi,
Como uma semente que tem que morrer para dar frutos.
E seus frutos também passaram.

E mesmo assim queres saber se dele se lembram?
Deixe que a história conte seus próprios contos.
Que os pontos se lembrem e se esqueçam,
Mas que marquem as páginas escrita com a vida.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nádia Rock

Homenagem à Nádia Rock



Dentre as várias amigas que tive a graça de ser presenteado por Deus, quero apresentar a Nádia, grande companheira! Ela está participando do programa Garagem do Faustão com duas músicas de sua própria autoria. Eu valorizo muito o trabalho desta artista. Desejo que logre seus objetivos e hoje quero postar aqui no meu blog os vídeos dela, Nádia Rock, para que possam ser apreciados por todos os leitores deste blog e também como via para levá-la a ser mais conhecida. Uma coisa eu ressalto, precisamos de bons críticos e pessoas que tenham qualidade na escrita e expressão, Nádia para mim você é uma destas pessoas! Sucesso!


HOMEM DE GELO:



SERÁ QUE ESSA HISTÓRIA NÃO VAI TER FINAL FELIZ?

Acessem estes links e votem!




sábado, 29 de agosto de 2009

A força em mim



Me disseram que em mim há uma força,
que com ela posso lograr o mundo.
Mas se mal aplicada pode ser minha forca,
caminho para um abismo profundo.

Luto contra esse poder que quer me controlar,
quer ser heterônomo, quer me anular.
Mas eu vejo adiante, sei manobrar,
o faço com perspicácia, não a claudicar.

Nesse mundo todos querem ganhar,
se sofro iminente perigo de queda,
logo passarei a atacar.
Se não o faço, jogo armado será.

Para tudo tem um tempo,
não adianta apresar.
Ninguém morre antes da hora,
quando eu estou, ela não está.

O que aprisiona o homem é o medo,
E este mesmo poderá libertá-lo.
Quando os anos passarem mais cedo,
Paulatinamente verás que foi sinal para calá-lo.

Meu silêncio não tem preço, não o ponho a venda,
sou aquilo que muitos morreram anelando.
uma voz no deserto, um senda,
água que rega onde o tempo seguia secando.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sexualidade Parte IV


Mal uso das palavras:
Sexualidade e Impulsos sexuais


Alguns abusos, má conduta e violência sexual por parte de muitos homens são atribuídas impropriamente ao instinto sexual. Justifica-se dizendo que o desejo sexual é algo natural, que é um instinto. Convém distinguir instinto de impulso. Segundo (CASTELLANOS, 2005), baseado no psicanalista Anatrella, afirma que Freud mostra que não existe o instinto sexual, mas o impulso sexual. Ele agrupa os instintos com relação à autoconservação, por exemplo: a fome e o instinto de sobrevivência[1] (Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905).
Isso explica que o instinto deva satisfazer-se com um objeto real, a fome requer comida e não pode contentar com outra coisa que não essa, por exemplo, praticar esporte.
No entanto o impulso não existe no inicio da vida, mas surge e se desenvolve quando a criança começa a ter carências. Noutras palavras o impulso consiste numa força que nos leva a resolver uma carência. Ora o impulso sexual pode satisfazer-se de muitas maneiras, mediante muitas atividades – é a chamada sublimação[2].

Os instintos exigem satisfação imediata, pois não podem transformar-se: a fome continuará a ser fome. No entanto, os impulsos sexuais não exigem realizações imediatas na realidade. Por isso aceitar a sexualidade como algo instintivo gera situações de abuso e de falta de respeito a outras pessoas, sob o pretexto de ser uma necessidade de vida ou morte. E os que a reduzem a um instinto, transformam-se em escravos da sexualidade reduzida ao sexo, como uma força maior do que eles. Isto não ajuda o indivíduo a crescer, tampouco a bem relacionar-se com os demais porque pode pensar que em suas relações o outro é apenas um objeto que se não se necessita mais dele, pode-se com facilidade descartá-lo. Assim, percebe-se que essa reação é impensada e fruto de uma má formação sobre sexualidade e má vivência da mesma, o que pode levar ao abuso e busca desregrada do prazer que não é o objetivo da plenitude sexual vivida em todas as áreas de nossa vida. Com a sexualidade bem norteada podemos viver em harmonia conosco mesmo e com os outros que também fazem parte da integração e completude de nossa sexualidade.
[1] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.23.
[2] Ibidem, p.23.
Referências

CASTELHANOS, Luis Valdez. O Don da sexualidade. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. Dicionário Houaiss da Língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Homenagem à Clara


Clara é uma amiga simples e muito singela. Doce na forma de se expressar. Sempre que eu a encontro ela diz a mesma coisa: - Olá querido, você está muito elegante hoje! Eu retribuo com um sorriso e digo o mesmo, ela fica encantada. Já desbravou os seus oitenta anos... Já venveu muitos obstáculos, mas é forte somente pelo motivo de se deixar ser cuidada por quem nem faz parte de sua família. As vezes, outros nos olham com mais cuidado do que os que estão perto de nós. Sempre pensamos assim, não? Então, porque não pensar o contrário. Será que eu tenho valorizado os que estão perto de mim, os meus familiares e amigos? Querida Clara, Sei que a força faz parte de seu viver, obrigado ppor partilhar comigo desta energia! A você esta canção!


É CLARA A VITÓRIA

Tentei lutar, tentei dizer, Mas não quiseram me compreender;
Que meu coração batia forte, Queria voar, voar.
Mas nem tudo na vida é assim, Há correntes que nos prendem às pessoas,
E há pessoas que nos prendem à correntes.
Mas eu venci, eu venci, Tudo suportei por amor.
Me resta a saudade dos amigos que deixei,
Dos afagos que perdi,
mas eu sei que muito mais Deus tem pra mim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cotidiano


uma só dose é o bastante,
numa só taça há graça,
um só contato é fraco.
Se não há abertura, governante,
se se quer outros ares, praça,
se a dor é constante, chore.
Mas nunca deixe que seu palco desarme.
Se a madeira cair, outras virão.
Vinho bom, odre velho.
Vinho bom, odre novo.
Eu aqui e tudo de novo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sexualidade - Parte III


Afetividade e Sexualidade


Dentro da sexualidade veremos a afetividade, que é seguida de sentimentos, sensações de todo tipo e que tem forte incidência na pessoa. A afetividade segundo o dicionário Houaiss é um conjunto de fenômenos psíquicos que são experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos[1]. É como nos apresentamos e como reagimos diante de diversas situações, o que sentimos e como procedemos com tais sentimentos.
Por isso a sexualidade pode ser entendida segundo (CASTELLANOS, 2005) como o conjunto dos elementos que constituem a pessoa: a identidade, a procriação, a afetividade, a sociabilidade, o amor, a espiritualidade e os órgãos que tema a ver com ela[2]. É o ser humano em sua totalidade, sua forma de se apresentar, se definir, é a sua percepção de mundo e pessoas, como se relaciona e sua capacidade de amar, de se comunicar com os outros e fazer dessa relação, momento de crescimento e maturidade, respeitando as diferenças e a identidade do outro.

Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais estão orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar[3].

Vimos que a partir de uma aceitação da peculiaridade da sexualidade é possível também compreender e aceitar o diferente. O homem vive com suas características fundamentais e da mesma forma a mulher e, mutuamente se complementam, se unem para viver a integralidade de sua sexualidade através da partilha e convivência, do deixar-se ser complementado na alteridade, porque sozinho é muito difícil viver a sexualidade, precisamos do outro, somos seres gregários e vivemos numa sociedade que a cada dia nos afasta de uma vida comunitária, em comunhão com os demais, devido à individualidade e narcisismo implantado pela era que vivemos, onde tudo é descartável e da mesma forma as nossas relações recíprocas sociais. Tratamos o outro com utilitarismo, enquanto me serve eu o mantenho por perto, mas nos enfadamos com as relações, queremos sentir sempre algo novo, sempre algo que ninguém ainda já experimentou, somos levados a assim nos conduzir no embalo da pós-modernidade onde reina uma crise do niilismo, de um vazio que nos leva a ter uma constante busca de prazer, ainda que desordenado e que vá de encontro com os valores sociais vigentes, ou morais que guardamos dentro de nós.
[1] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. Dicionário Houaiss da Língua portuguesa, p.102.
[2] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.13.
[3] Catecismo da Igreja Católica, 2333, p.605.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Homenagem à Alice


Alice é outra senhora muito carinhosa a quem dedico esta canção. Seu semblante me leva a procurar a paz, a desejá-la e buscá-la com todas as minhas energias. Alice é simples, frágil fisicamente, mas por dentro, uma fortaleza, e o melhor é que ela permite que esta força se espraie sobre os que a circundam. Minha querida, receba com carinho esta homenagem e continue sendo esta pessoa maravilhosa!
ALICE EM BRADO DE PAZ

Quando vejo um sorriso, sinal de paz.
Quando vejo as nuvens brancas, isso tudo me compraz.
Eu busco a Paz, eu busco a paz,
A paz, a paz, a paz.
Já ouvi tantos segredos, tantas coisas ao luar.
E ajudei a tanta gente que nem me lembro mais.
Eu busco a Paz, eu busco a paz,
A paz, a paz, a paz.
Ouço o brado de Marias, Anas, Glórias e Franciscas.
Mas de um não me esqueço é o grito de Alice.
Que busca a paz, busca a paz,
A paz, a paz, a paz.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sexualidade - Parte II



Os conceitos de Sexualidade

Mas então o que é a sexualidade? Essa pergunta grita dentro de nós em busca de um conhecimento mais profundo do nosso próprio ser. Inúmeras pessoas buscam ser felizes no amor, buscam gurus, cartomantes e inúmeros livros de auto-ajuda para satisfazerem seus desejos e angustias, que na sua maioria estão relacionadas com a sexualidade, ou a má vivência da mesma. Antes de tudo gostaria de dizer que a sexualidade não se reduz também a uma única definição, mas poderemos encontrar várias.

O médico, em sua perspectiva, define a sexualidade em termos de funcionamento do corpo humano. O psicólogo, o moralista, o sociólogo e os demais profissionais fazem o mesmo, cada um a partir de seu campo de estudo[1].

Percebemos que na mesma perspectiva que encontramos em diversas áreas conotações diferentes do mesmo termo, encontramos também em diversas culturas a vivência diferenciada da sexualidade, com valores distintos devido à pluralidade cultural e crenças. Assim para termos um direcionamento neste estudo optamos em adotar uma definição a partir do contexto da psicologia humanista e, mais particularmente, a partir do enfoque centrado na pessoa.

Sexualidade é uma energia, uma força positiva capaz de gerar vida, plenitude e realização. A sexualidade auxilia o desenvolvimento da pessoa, uma vez que possui uma grande variedade de elementos. Tem um dinamismo direcionado para uma conduta positiva que dá vida, embora passe, como todo processo, por diferentes etapas, nas quais há clareza e obscuridade, avanços e retrocessos[2].

Por isso a sexualidade não pode ser vista isoladamente, mas na pessoa em seu todo, uma vez que tem a ver com o sexo, a procriação, a afetividade, o amor a espiritualidade, o prazer e outras dimensões importantes da vida. Percebemos que a sexualidade é de extrema importância para a vida do ser humano, e que tudo na pessoa é sexual, mas estamos cientes de que a sexualidade não é tudo, mas é muito profícua ao desenvolvimento humano na relação interna e também na alteridade. Ela tem a ver com a maneira de falar, de pensar, de expressar-se, de caminhar, de sentar-se, de sentir, e como supracitado, está presente o tempo todo na vida das pessoas, especialmente na alteridade.

A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, em sua unidade de corpo e alma. Diz respeito particularmente à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de uma maneira mais geral, à aptidão a criar vínculos de comunhão com os outros[3].
Esta parte se detém em apenas ampliar um pouco o nosso conceito sobre este assunto. Não podemos limitá-lo a uma unica esfera da vida do homem, mas espraiá-lo em todo o seu viver. nas próximas publicações adentraremos outros aspectos da sexualidade que nos ajudarão a compreender melhor toda a dinâmica de nossa vida tão pouco conhecida.

[1] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.12.
[2] Ibidem, p.12.
[3] Catecismo da Igreja Católica, 2332, p.605.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Homenagem à Mary

Mais uma vez homenageio outra pessoa que me ajudou a compreender muita coisa com seu silêncio e impossibilidade de movimentar-se. Mary (in memoriam), era uma senhora que não podia muita coisa sem o auxílio dos que estavam por perto, até mesmo para alimentar-se necessitava de um "anjo" para lhe suprir em suas necessidades, e algumas vezes tive a oportunidade de ser em sua vida este anjo que o senhor envia. Por isso decidi escrever esta música para homenageá-la, mostrando-lhe que a sua sensibilidade era uma ponte oportuna de Deus manifestar sua graça através dos irmãos.

Certa vez Jesus espalhou uma porção de barro nos olhos de um cego e disse: “Vai, lava-te no tanque de Siloé” (João 9:7a). De alguma forma, o cego encontrou o tanque. Ele lavou os olhos e depois “voltou vendo” (v. 7b).
Por isso coloquei na música a passagem de Siloé. Mary não podia ir até este tanque, mas percebi com sua vida que muitos a ajudavam a caminhar, a ir aonde era necessário for para voltar curada, não da cegueira porque ela enxergava, mas de tantos pormenores que permeiam a existência.



Mary, a você esta canção:

O Pórtico de Mary

Estou aqui, a observar, Todos a minha volta.
Tenho vontade de gritar, mas minha pequena voz,
É como a de uma criança, quer encontrar abrigo,
Quer fugir do perigo, mas sem forças não posso lutar,
Aceitei me abandonar.
Eu preciso de ti, sozinho eu não posso caminhar.
Tenho a ti para eu andar, pois em Siloé, Quero me banhar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sexualidade - Parte I


Tenho lido sobre sexualidade e percebido que ela é algo de mais belo que existe em nós. Que é muito mais ampla que imaginamos e resolvi escrever um artigo e postar aqui no blog. Vou publicar por partes, aqui está a introdução do meu trabalho, escrevo numa linguagem simples e estou aberto para receber, pelos comentário, as sugestões e observações pertinentes a este tema.
A Não redução da Sexualidade à Genitalidade

INTRODUÇÃO
A sexualidade deve ser vista de uma forma integral, o ser humano é todo sexual, vive sua vida em funções sexuais, seja de relacionamentos familiares, afetivos, eróticos enfim, a sexualidade permeia a nossa vida. Ao mencionar tal palavra sexualidade, o que primeiro vem à nossa mente é um reducionismo ao genitalismo, isso é um erro, reduzir a tão pouco um conceito muito mais amplo. As pessoas tendem a recordar e associar a sexualidade com os órgãos reprodutores, com o coito ou relações sexuais, mas a sexualidade não se resume nisto.

Se um extraterrestre visitasse a terra e quisesse conhecer nossa sexualidade, muitos lhe recomendariam que comprasse livros. Na livraria, ao ver títulos como Mil maneiras de fazer amor, Como curar a impotência e a frigidez?, Remédios para a ejaculação precoce, Seja eficiente na cama etc., com toda certeza pensaria que a sexualidade para os terráqueos é cheia de problemas e dificuldades[1].

É notório que é preciso desmistificar um pouco essa fantasia que existe por trás de tais conceitos errôneos e reducionistas. Muito dessas ideias são derivadas da má educação recebida e alguns vivem complexos de culpa e as experiências que deveriam ser bonitas são às vezes vergonhosas levando o indivíduo a não querer comentar. E segundo (CASTELLANOS, 2005, p.12) se essas pessoas são tementes a Deus, freqüentemente elas identificam a sexualidade com o pecado, com algo vergonhoso, algo sujo. Mais uma vez vimos que nesse caminho as pessoas reduzem toda a sexualidade a atos sexuais, que se não bem vividos, desestruturam mais ainda o conceito e ideia de uma sexualidade ampla e sadia, que é inerente a nossa vida e que sem ela não conseguimos dar passos seguros nos nossos relacionamentos interpessoais.
[1] CASTELLANOS, Luis Valdez. O dom da sexualidade, p.11.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Homenagem à Lúcia

Lúcia é uma senhora da casa de Repouso que visito aos sábados. Tem um brilho especial nos olhos, por isso eu lhe disse ver em seus olhos, flor. Não uma flor apenas, mas um jardim, um belo jardim que exala uma história de vida e uma alegria de viver que precisa contagiar mais pessoas. Sou muito grato pela oportunidade que tenho em conhecer e poder conviver com pessoas que sempre estão abertas a partilhar suas histórias, fazendo que chegue a mim, crescimento humano e espiritual. Escrevi não mais uma música, mas um tratado de amizade que perdurará com esta simples canção que dedico com muito esmero.
Escrevemos nossa vida, cada parágrafo, cada página, às vezes sentimos vontade de revisar algo, arrancar algumas páginas, inventar outras... mas em tudo, neste livro está nossa vida, vivida com todas as suas vicissitudes, mas vivida. Não deixemos que a nossa história tenha somente vazio como fio condutor, busquemos fazer algo diferente para que os outros leiam nossas páginas e se admirem com nossa caminhada, história e até mesmo fracassos, estes, que nos ajudam a não mais tropeçar no mesmo lugar e ensinam, a quem é sensível e observador, que há caminhos menos sofríveis e solitários.




Lúcia a você esta canção:


Temos tantas histórias pra contar,
Temos tantas histórias pra ouvir.
Temos tantas coisas, nós temos tantas coisas,
Temos tanto a partilhar.
Temos uma vida em comum,
Temos sonhos a realizar.
Você me ensina a amar, Você me ensina a me doar,
E em teus olhos Lúcia há flor.
Nesta flor eu vou contemplar,
O jardim onde brota o amor.
E em cada rosa vou sentir, em todas as cores vou curtir,
A mansidão que a leva a sorrir.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Meus gritos se calam



Quero e não faço, mas não sei o porquê.
Desejos e vontades ocultos,
Vida cercada por vidas
Quantas miradas!

Vejo, mas imagino que poderia ser mais.
Olhos fechados para o além,
As miradas disfarçam-se
O desejo vem.

Penso em sair, mas o lar é cômodo.
Penso em agir, mas me foge às mãos.
Calo e descubro que são apenas assombrações
Que em meio às constelações não querem me ver brilhar.

Se brilho creio que foi demasiado.
Se no escuro, choro a luz.
Quantas bobeiras me invadem
Quantas se esvaem.

Escrevo para não falar.
Quando falo não sei pronunciar.
Faltam-me palavras concisas
Sou prolixo lançado ao ar.

Falo de mais sem abrir a boca
Nunca me foi necessário, por que agora?
Meu olhar, minha voz se comunicam
E meus gritos se inflamam.

E meus gritos se calam
E meus gritos me malham
E meus gritos me assolam
E meus gritos se esvaem.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sonhos


Quem poderá dizer que nunca sonhou
Ou que algum dia não esperou
Um milagre, uma surpresa e apreendeu
Na fraqueza, delicadezas?

Me disseram que a vida é cruel
Mas o que seria a crueldade,
Senão, a falsa sensibilidade
Que querem impor ao réu?

Não sei se vi, nem se ouvi
Será que não sei? Não sei.
Querem tapar meus sentidos
E tirar-me...

E a liberdade, onde está?
Onde? Você a viu passar?
Diga-lhe que estou bem
Que estou bem? Sei...

O problema é que me olvido
De sempre especular os sonhos
Talvez seja a alteridade que me barre
Ou não. Mas devaneio.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tédio

Tédio

Posso aborrecer sem desfalecer
Posso desfalecer pelo fastio
Mas não posso pelo tédio parir
Um desgosto por quem não pôde rir.

Se hoje eu rio
Amanhã cachoeira
Se não rio
O jocoso se torna poeira.

Se a poeira não me cegar
Vou por caminho seguro
Assim talvez possa chegar
E quiçá irei ficar.

Quiçá não faz história
Creio até que morreu
A viver na insegurança
Me apetece mais eu.

Eu não sei o caminho
E você não sabe chegar
Minha mochila é pesada
Devolve-me, pois vou me atirar.

O alvo é tédio, não importa
O tempo é curto, eu sei
A vida é assim e eu assado
E nós juntos outra vez.


Nota: Escrevi este poema sobre o tédio em outubro de 2006 e é tão interessante que sempre que me remeto aos meus textos anteriores encontro algo que está em meu presente e partícipe de meus momentos. O tédio acompanha quase todos, ao menos uma vez e outra na vida, mas, mais importante do que entediar-se é compreender que estes momentos não podem ser contínuos e que logo conseguiremos nos lançar na felicidade onde teremos absolvidas as dores, desanimos e qualquer tipo de tédio. Mas enquanto vivermos, a felicidade e o tédio nos acompanharão intercalando-se em nossa vida nos permitindo crescer humanamente o que nos aproxima mais de um crescimento divino. Quanto mais humanos, mas divinos conseguimos ser e assim compreender a nós mesmos e aos que nos cercam.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Homenagem à Judith


Iniciei Junto com o meu irmão Adriano um trabalho musical na Casa de Repouso Resplandecer e escrevemos canções para as senhoras que lá estão internadas. Tem sido uma experiência que nos leva a comtemplar verdadeiramente Cristo naqueles que sofrem e que mesmo assim tem muito a nos ensinar. Daqui em diante postarei um pouco da vida de cada senhora que lá vive juntamente com o resultado de nossa missão, a música que criamos para elas e cada música recebe nada menos que o nome de quem ela é dedicada. Iniciarei esta jornada com Judith, uma senhora que nos emociona com sua força de viver e história de luta e alegrias.








Judith, é uma canção simples, mas profunda quando se trata da pessoa para quem ela foi escrita. Ela foi considerada a voz romance do Paraná e ainda canta e vibra quando levamos os violões e tocamos algumas de suas favoritas, a mais cantada dentre elas é "beijinho doce".


Judith a você esta canção!


Com a minha voz, eu canto
Com a minha voz eu tiro a poeira do chão.
Eu canto, espanto a tristeza
Encanto, busco a sabedoria
Às vezes choro, mas não estou só
Deus está comigo nesta estrada da vida.

Também com o meu silêncio eu canto
Com o meu silêncio eu calo uma multidão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Decida-se a pensar!



A cada manhã, ao despertar, durante o dia, ao prepararmos para um compromisso, ou seja, em todos os momentos de nossa vida, sempre somos assaltados por alguma indecisão que por muitas vezes nos impede de progredir. Percebo que são muitas as opções que temos, mas não são todas que levam a um fim desejável, profícuo à nossa saude psicológica e até mesmo física. O interesante é que pressionados a tomar alguma decisão, ninguém vê a opção de não tomar alguma. Às vezes é importante não ir, mas pensar melhor, discernir cada passo, cada decisão. Precipitar-se pode ser um caminho que leve à mingua e até mesmo a morte. O melhor é pensar, lançar mão de nossa razão e perceber todos os caminhos que estão em nossa volta, alguns deles são sem retornos, outros não comportam arrependimentos e recomeçar nem sempre é fácil. Pensar é contar também com o outro, é averiguar que o que se quer deve passar pelo crivo do contestar, do ouvir opiniões diferentes; que nos ajudam a retirar de nosso discernimento as emoções, as doxas que não nos mostram um caminho seguro, mas um caminho oscilante. Decida-se a pensar! Decida-se a escolher o melhor caminho e discerni-lo com critérios para não ser pego por qualquer engano. E um conselho de um grande santo, Inácio de Loyola é, "todo discernimento deve ser precedido de um profundo silêncio". No silêncio encontramos muitas saídas, muitos caminhos que diante dos ruídos, cotidianos, não podemos compreender.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Se eu soubesse



Se algum dia eu soubesse que nunca mais veria você... Eu lhe daria um abraço mais forte. Se eu soubesse que seria a última vez a ver você... Eu lhe daria um beijo e o chamaria para dar mais um. Se eu soubesse que seria a última vez a ouvir sua voz... Eu gravaria cada momento e cada palavra, para revê-los depois todos os dias. Se eu soubesse que seria a última vez que eu poderia parar mais um ou dois minutos para dizer-lhe: “gosto de você”... Eu diria, ao invés de deixar que você presumisse. Se eu soubesse que hoje seria o último dia a compartilhar com você... O sentiria muito mais intensamente em vez de deixá-lo simplesmente passar. Sempre acreditamos que haverá o amanhã para corrigir um descuido para ter uma segunda chance de acertar. Será que haverá uma chance para dizer... “Posso fazer uma coisa para você?” O amanhã não é garantido para ninguém, seja para jovens, ou mais velho, e hoje pode ser a última chance de abraçarmos aquele que amamos. Então se estamos esperando pelo amanhã, por que não agirmos hoje? Assim se o amanhã não chegar, não teremos arrependimentos de não termos aproveitado um momento para um sorriso, para um abraço, para um, uma gentileza porque estávamos muito ocupados para dar a alguém o que poderia ser o seu último desejo. Abracemos hoje aquele que amamos, sussurremos em seus ouvidos, dizendo-lhes o quanto nos são caros e que sempre os amamos. Apesar da distância você está em nosso convívio e amamos muito você. Aproveite o dia, como se fosse o último, pois não sabemos o que ira acontecer nos próximos minutos, podemos estar sorrindo e após alguns segundos chorando, se prepare, sempre mais e mais e tenha fé. “Não sois capazes de compreendê-las agora. Quando, porém, vier o Espírito Santo da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade.” (João 16, 20). ...Em verdade, em verdade vos digo, vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegará, Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. (João 16, 20). “A morte, embora nos entristeça, ela é fecunda e causa alegria”.Sempre que estiver triste, lembre-se que tem alguém que se alegra por você existir.
(Autor desconhecido)

Recebi diversas mensagens nesta semana dos meus amigos me dirigindo uma palavra de carinho e força pelas vicissitudes que tenho enfrentado. Resolvi postar esta a pedido do Jonas e que ela de uma forma simples nos leve a perceber que devemos aproveitar ao máximo cada momento de nossa vida, pois ela é como esta flor acima, tão frágil que o tempo e o vento (as vicissitudes) nos levam aos poucos. Ela é um convite a dizermos sempre, o quanto amamos as pessoas que estão em nossa volta.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Luz


Luz que me ilumina e me leva a pensar,
pensar que não estou só, pensar que há um outro lugar,
onde eu possa me calar, onde eu possa chegar.
Às vezes olho para um lado e outro, escuridão,
ora começo a chorar, ora há uma luz a me consolar,
um consolo caloroso, um sinal de perdão,
uma luz notória invadindo o meu coração.
Eu tento imaginar de onde vem essa luz,
não sei explicar, ela é ofuscante, não posso olhar,
o que sei é que ela me aquece, me mostra um caminho,
às vezes mui limitado, difícil de se ver.
Mas quando percebo que não enxergo nada,
é porque olho de uma forma errada,
não é no horizonte que devo mirar,
deve ser vertical o meu caminhar.
Essa luz só pode vir do alto,
e deve ter muita energia, ela não se apaga,
as vezes eu não a vejo,
não que ela tenha sumido, mas sim, fechado eu os meus olhos.
Essa luz só pode ser o Amor,
Essa luz só pode ser puro calor,
Essa luz é um borrador,
de medos, inseguranças e escuridão.

domingo, 10 de maio de 2009

Viver como irmãos


Os ensinamentos de Cristo não são tão fáceis de se seguir como as pessoas pensam. Há muitos obstáculos, muitas dificuldades que encontramos na vida prática. Um coisa é ler e maravilhar-se com as teorias que várias pessoas escrevem sobre como viver bem com os outros e tê-los como irmãos, outra coisa é colocar isso tudo na nossa vida real. Acredito que essa não vivência comunitária, não tem fundamentos somente na deficiência do ensino religioso, mas sobretudo é resultado também de uma cultura que tem como escopo o lucro e o individualismo. Matin Luther King sabiamente escreveu que "aprendemos a voar com os pássaros e a nadar com os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos". Esta é uma tarefa árdua e exige de nós muito esforço e renúncias. É preciso deixar nossas próprias vontades para que a vontade do grupo seja manifestada, na comunidade não pode haver espaço para o egoísmo, a partilha é a linguagem universal que os irmãos devem saber falar. O amor mútuo se dá quando há esforço para reconhecer e aceitar as diferenças. E isso não é um caminho rápido, mas lento e progressivo e sempre com um espírito de oração pelo outro. Rezar por quem gostamos é fácil, o difícil é cada um de nós fazê-lo por quem não nos causa empatia. Mas, esta é uma das trilhas que nos leva à Deus, a aproximar-se do outro como irmão, perceber que nele, eu posso ver a imagem de Deus. É preciso deixar de lado os preconceitos, as diferenças e fazer a parte que nos cabe. Aprender a viver como irmãos é fazer o mesmo caminho da semente de trigo, que para nascer, tem que morrer; assim para vivermos como irmãos é preciso morrer um pouco a cada dia para que uma nova pessoa possa surgir, uma pessoa capaz de amar sem discriminar. Mas não nos preocupemos, porque enquanto estivermos aqui na terra, teremos limitações para tal, somos como uma rosa, iniciamos como o botão ainda muito fechado, mas logo se abrirá. Aberto totalmente, somente no céu, mas até lá cada um pode fazer a sua parte. Viver como irmãos é uma arte!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Aparências


Gostaria de partilhar sobre esta mulher da foto acima, Susan Boyle, que participou do Britain's Got Talent, um misto de Show de Calouros, uma senhora britânica de 47 anos, subiu ao palco para cantar "I Dreamed a Dream", do musical Os Miseráveis. Seu sonho é o sonho de muitos, ser um cantor profissional. Ela foi desacreditada por todos, mas conseguiu com seu jeito simples mostrar que tinha capacidade para desenvolver o que queria, cantar e o fez brilhantemente, o que lhe rendeu pedidos de desculpas pelo tratamento cínico e por terem desacreditado nela. Mas o que quero dizer ou ilustrar com esta personagem que o mundo inteiro ouviu falar nestes últimos dias? Qual a semelhança de Susan com a nossa vida? A sociedade em que vivemos é um mundo de aparências, julgamos o que o outro nos apresenta, e às vezes interpretamos mal o que vemos. não podemos ver o coração das pessoas e nem sempre temos paciência para parar e ouvir quem nos chama, quem nos quer apresentar seus dons; temos medo, medo de sermos menos valorizados, de perder o nosso posto, de que as pessoas não nos ame como esperamos, nos frustramos. Temos na bíblia os sepúlcros caiados, pessoas que por fora são de boa aparência e retos no agir, mas por dentro exala um mau cheiro. Por isso rezamos que mais vale confiar no Senhor do que nos grandes da terra, mais vale colocar nossa confiança em quem não nos trairá, não nos decepcionárá. Quando rezo peço a Deus forças para ser, como João Batista, uma seta, que aponta os caminhos, mas que vive neles também, uma pessoa que prega com o testemunho, e que não julga as pessoas pelas aparências, mas as ame com o amor que necessitam, que não tiveram e que temos a oportunidade de manifestar. A partir do momento que assisti ao vídeo desta mulher acima, me emocionei e pensei algumas coisas em minha vida. Com seu jeito simples, Susan me ensinou a ter garras e confiar, mesmo quando todos estão contra. A lutar pelos nossos sonhos, mesmo quando parecer impossível, inalcansável. A ir até o último minuto com a cabeça erguida, simplesmente este foi o vídeo do mês, gostaria de quem tivesse a oportunidade de assistir que o faça.
Esta é a versão legendada no You Tube:

terça-feira, 5 de maio de 2009

Amizade


Uma das coisas que me surpreende é o valor das minhas amizades. Da força que sempre tenho ao perceber que ao meu lado Deus coloca pessoas que me auxilia a caminhar. Algumas dessas pessoas estão fisicamente distantes, mas no meu coração estão cada vez mais perto. É assim que acontece às vezes, podemos ser rodeados por pessoas e nos sentirmos solitários e aqueles que estão distantes de nós os sentimos mais perto. Amigo é aquele que nos empresta um ombro nos momentos difíceis e, que não nos pede o nosso ombro quando fadigado, porque sabe que se achegar-se encontrará acolhimento. Amizade é ter liberdade de dizer que o outro é importante e que tem significados imensuráveis em nossa existência. É dizer também o que ele pode fazer para melhorar sem magoá-lo. Os verdadeiros amigos são aqueles que mesmo com poucas ou nenhuma palavra se fazem presentes. Certa vez passei por uma cirurgia e eu tinha ao meu lado uma amiga que não me dizia uma palavra, mas estava ali; com seu silêncio eu sentia a voz de Deus, às vezes Ele fala e não O percebemos, os amigos também são assim, é preciso calar para ouvir os sussurros mais íntimos e os pedidos de socorro que nem sempre são exteriorizados, mas devem ser percebidos. Agradeço a a Deus porque me concedeu amigos verdadeiros e que fazem parte do meu grande tesouro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Livre para amar


Quase todos os dias eu escuto alguem dizer que não tem liberdade de fazer isso ou aquilo porque alguém lhe tirou essa prerrogativa ou simplesmente porque tem medo de ousar tentar; medo do que o outro dirá a respeito.
A liberdade está dentro de cada um de nós! Eu escolho, eu decido a fazer o que quero, mesmo sabendo que algumas coisas não me convém, mesmo assim tenho a liberdade de escolher livremente em fazê-las ou não. Como aspirante à uma consagração religiosa eu sou livre em não fazer certas coisas, não porque me é proibido e que me acarretará uma sanção, mas porque sou livre em optar pelo melhor em minha vida. Como que saberei se é o melhor?! Coloco em Deus e procuro ver nEle e por ele as minhas ações, se elas condizem com o que me dispus a cumprir. A liberdade não pode ser algo que faz da pessoa um escravo, mas deve deixar em cada um de nós a sensação de prazer de estar na presença de Deus, de contemplar um horizonte que muitos não poderão porque estão presos a regras e se esquecem de contemplá-lo e perceber o seu horizonte infinito de misericórdia e amor.


Sentir a Deus sobre uma montanha, dar brados de alegria na sua presença, poder ter um coração grato pela vida mesmo diante de todas as suas vicissitudes são atos que nos levam a contemplar em Deus a nossa vida de homens e mulheres livres, que são amados e sabem manifestar esse amor.


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